A discussão sobre criança em Parada LGBT virou uma daquelas brigas em que a esquerda tenta colocar perfume francês numa pergunta simples: todo evento público pode existir, mas nem todo evento público é lugar para criança. Pastor Diego defendeu a proteção de menores em ambientes com exposição adulta, nudez, conteúdo sexualizado, bebida, performances provocativas e discurso ideológico no volume máximo. A tese é direta: adulto faz o que quiser dentro da lei; criança não deve ser usada como figurante de militância.
Sônia Meire e Linda Brasil reagiram como manda a cartilha: em vez de enfrentar a pergunta central, puxaram logo o carimbo do preconceito. Sônia disse que o projeto “não faz o menor sentido” e que já existem Conselho Tutelar e órgãos de fiscalização. Linda seguiu na mesma linha, tratando a proposta como tentativa de atacar a população LGBT e restringir manifestação pública. É o argumento pronto de sempre: quando alguém fala em proteger criança, elas escutam “censura”. Quando alguém fala em ambiente adulto, elas respondem “preconceito”. A realidade bate na porta, mas a militância finge que é entregador.
Só que São Paulo deu uma amostra do problema. A Parada LGBT veio com slogan eleitoral, discursos contra a direita, defesa de voto, trios elétricos, artistas, performances, marcas de bebida, fantasia provocativa e política em cima do trio. Aquilo não era apenas celebração. Era comício com glitter, palanque de salto alto e urna eletrônica dançando na avenida. E ainda querem vender isso como passeio educativo para criança. Aí já não é diversidade. É malabarismo ideológico com lancheira infantil.
A comparação com a Marcha para Jesus incomoda porque é simples demais para ser desmontada. A Marcha também tem política, foto, autoridade e cálculo eleitoral. Ninguém nasceu ontem. Mas o ambiente simbólico é outro: louvor, oração, música gospel, caminhada religiosa e presença familiar. Já a Parada mistura festa, identidade, corpo, provocação, militância e discurso partidário. Uma chama a família para cantar. A outra chama a militância para ocupar a rua. Fingir que dá no mesmo é tentar vender trio elétrico como sala de aula.
A pergunta que Sônia e Linda não respondem sem rodopiar no discurso é esta: pai e mãe sergipanos preferem seus filhos menores numa caminhada de fé, música e oração, ou numa Parada com estética adulta, performances provocativas, bebida, gritaria política e disputa ideológica? Essa pergunta não ataca ninguém. Não impede adulto de viver sua liberdade. Apenas lembra que criança não é cartaz ambulante, não é escudo moral e não é peça de propaganda de movimento nenhum.
Pastor Diego pode ter seu projeto debatido, corrigido e aperfeiçoado juridicamente. Lei precisa ser técnica, proporcional e constitucional. Mas transformar a defesa da infância em crime político é esperteza velha com maquiagem nova. Sônia Meire e Linda Brasil têm todo direito de defender a Parada. Só não podem exigir que a sociedade finja que ambiente adulto virou parque infantil porque a militância colocou uma bandeira bonita na entrada.
No fim, a conta é simples: a Parada pode existir, a Marcha pode existir, a política pode gritar e a fé pode cantar. Mas criança precisa ser protegida. Porque trio elétrico não é ônibus escolar, militância não substitui pai e mãe, e infância não deve ser fantasiada de argumento ideológico para agradar plateia de rede social.




