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“Branca, bonita e rica”: quando o protagonismo feminino vira vergonha pública

Cris Monteiro durante a sessão que terminou em acusações de racismo na Câmara de SP

A vereadora Cris Monteiro (Novo) protagonizou mais uma polêmica por racismo na Câmara Municipal de São Paulo, e não foi com pouco barulho. Durante sessão nesta terça-feira (29), enquanto falava sobre o reajuste dos servidores municipais, a parlamentar soltou uma frase que atravessou o salão como uma bomba:

“Agora, quando vem uma mulher branca aqui falar a verdade para vocês, vocês ficam todos nervosos. Porque uma mulher branca, bonita e rica incomoda muito vocês.”

O alvo era a vereadora Luana Alves (PSOL), mulher negra, ativista e adversária política de peso. O resultado foi imediato: gritos de “racista” das galerias e suspensão da sessão.

A crise da nova política vestida de ego e privilégio

Esse episódio com Cris Monteiro não é um caso isolado. Ela já foi protagonista de uma briga física com Janaína Lima em 2021 e, mais recentemente, usou o plenário para fazer performance pessoal ao revelar que sofre de alopecia.

Mas o que vemos agora ultrapassa o campo das bizarrices políticas: trata-se de uma polêmica por racismo escancarado, com direito a desculpas esfarrapadas depois do estrago feito.

Luana Alves já formalizou uma denúncia à Corregedoria, com base em racismo e quebra de decoro. O caso segue em análise e pode resultar em punição.

Protagonismo feminino: manchete errada, problema certo

O mais triste é ver como mulheres vêm ganhando palco político por motivos errados. Em vez de avançar com qualidade no debate público, vemos comportamentos que atropelam o mínimo de civilidade e respeito — não importa o gênero.

Essa polêmica envolvendo Cris Monteiro acende um alerta: o eleitor cobra presença feminina na política, mas quer também compromisso com ética, empatia e debate real.

E agora, Cris? O que esperamos da política que se diz “nova”

Cris Monteiro pediu desculpas. Disse que não teve intenção de ofender. Mas o padrão se repete: políticos que cometem deslizes gravíssimos apostam na velha cartilha do “foi mal” — e esperam que tudo passe.

Enquanto isso, o país observa uma triste inversão: mulheres estão ocupando mais espaços, sim — mas muitas vezes por romperem o mínimo protocolo de civilidade. O problema não é o gênero. O problema é o conteúdo.

E quando esse conteúdo vem recheado de privilégio e empáfia, a luta por igualdade sofre um revés que não pode mais ser ignorado.

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