PUBLICIDADE

Cristiano Cavalcante e a eleição no Baixo do São Francisco

Cristiano Cavalcante chega à reeleição como candidato forte, mas não entra mais sozinho no Baixo São Francisco. Foi o deputado estadual mais votado de Sergipe em 2022, com mais de 45 mil votos, tem ligação direta com o governador Fábio Mitidieri e ocupa espaço importante na Assembleia. É líder do governo, conhece os caminhos do Palácio e sabe onde a política aperta, onde afrouxa e onde rende fotografia. Não é menino novo no salão. Já foi prefeito de Ilha das Flores, conhece o interior e sabe fazer política no miúdo. Mas agora vai ter que provar que continua sendo dono do pedaço ou se virou apenas mais um bicho correndo no mato eleitoral.

O mandato de Cristiano tem força porque passa por temas que falam direto com a região: saúde, infraestrutura, rizicultura, estradas, assistência social, turismo, artesanato e investimentos no Baixo São Francisco. Ele aparece como deputado de base, de articulação e de governo. Quando a obra anda, Cristiano tenta colocar o nome na placa. Quando o governo promete, ele pega o microfone e ajuda a vender o pacote. O problema é que eleitor do interior já aprendeu a diferença entre obra pronta e promessa com cheiro de tinta fresca. No Baixo São Francisco, o povo gosta de festa, gosta de apelido e gosta de resenha, mas sabe perguntar: deputado, o senhor trouxe resultado ou só veio inaugurar conversa?

A disputa, porém, ganhou um tempero delicioso. Cristiano chamou Carlinhos de Brejo Grande de Saruê. Carlinhos devolveu chamando Cristiano de Guaxinim. E ainda apareceu Fernandinho Franco, ex-prefeito de Muribeca, conhecido como Preá. Pronto. A eleição virou praticamente uma arca de Noé do Baixo São Francisco, só que sem Noé, sem dilúvio e com muito santinho rodando. Tem Saruê correndo pela beira do rio, Guaxinim tentando guardar o território e Preá saindo do mato para comer pelas beiradas. A política sergipana é tão generosa que a piada já vem com elenco, roteiro e figurino.

Essa guerra de apelidos parece brincadeira, mas revela uma coisa séria: Cristiano não terá vida fácil. Antes, sua força regional parecia mais tranquila. Agora, com Carlinhos e Fernandinho disputando o mesmo eleitorado, a hegemonia fica ameaçada. O Baixo São Francisco não é mais quintal de porteira aberta. Virou roçado disputado, com cada candidato tentando marcar território. Cristiano ainda tem vantagem, porque carrega mandato, voto, governo e estrutura. Mas estrutura não ganha eleição sozinha. Se o eleitor sentir que o deputado ficou grande demais para ouvir a base, o Guaxinim pode descobrir que mato conhecido também tem armadilha.

O ponto crítico de Cristiano é o estilo. Ele é forte, articulado e sabe ocupar espaço, mas às vezes passa do ponto no barulho. Como líder do governo, defende Fábio Mitidieri em quase tudo e vira escudo do Palácio nas horas difíceis. Isso ajuda no acesso ao poder, mas também cola nele o desgaste do governo. Em política, quem anda muito perto da cozinha também sai cheirando a fritura. Se o governo entrega, Cristiano comemora. Se o governo falha, Cristiano carrega o peso junto. E o eleitor não quer saber se a culpa é do governador, do secretário ou do santo da chuva. Quer saber se a estrada melhorou, se o hospital atendeu, se a água chegou e se a promessa saiu do papel.

Por isso, a reeleição de Cristiano Cavalcante precisa ser olhada com atenção. Ele é competitivo, tem voto, tem base e tem força real. Mas enfrenta dois candidatos que conhecem a região e querem tomar espaço: Saruê de um lado, Preá do outro, e ele no meio tentando provar que o Guaxinim ainda manda no Baixo. A eleição pode até render muita piada, muito apelido e muita gargalhada de feira, mas a urna não vota por resenha. Vota por entrega. Cristiano terá que mostrar que não é apenas líder do governo, nem personagem da fauna política local. Terá que provar que continua sendo útil para o Baixo São Francisco. Porque no mato eleitoral, meu amigo, quem vacila vira história contada na calçada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *