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Curto, grosso e direto: Alessandro mira adversários e defende independência no Senado

Antes de publicar esta entrevista, o Portal Fausto Leite precisa fazer um registro: Alessandro Vieira foi, até aqui, um dos entrevistados mais rápidos, objetivos e diretos desta série com os pré-candidatos ao Senado por Sergipe que apresentaremos no decorrer dos próximos dias. As perguntas foram encaminhadas pelo WhatsApp, e o senador respondeu também pelo WhatsApp, com tranquilidade, precisão e sem aquela coreografia política de quem pede três assessores, dois revisores, um marqueteiro e uma bênção antes de escrever “bom dia”.

Alessandro respondeu como Alessandro costuma ser: curto, grosso no bom sentido, técnico, direto e sem enfeitar demais a frase. Não fugiu das perguntas, não pediu para trocar tema, não tentou transformar entrevista em panfleto de campanha e nem mandou resposta com aquele perfume de gabinete que diz tudo e não responde nada. Foi reto. Foi seco quando quis ser seco. Foi elegante quando precisou ser elegante. E foi duro quando entendeu que a pergunta exigia dureza.

O senador deixou claro que se considera independente, afirmou que não abriu mão da sua postura para aprovar projetos ou captar recursos, diferenciou seu perfil dos adversários e bateu firme em adversários. Também respondeu sobre Rogério Carvalho, Edvaldo Nogueira, Eduardo Amorim, André Davi, PL das Fake News, CPI da Pandemia, CPI do Crime Organizado, recursos para Sergipe e sua presença nos municípios.

O que impressiona em Alessandro é justamente essa economia de palavras. Ele não faz discurso de missa de sétimo dia nem resposta de palanque de vaquejada. Vai no ponto. Às vezes, a frase parece pequena, mas vem com lâmina. É o estilo de quem prefere precisão a floreio. Uns vão chamar de frieza. Outros, de objetividade. O fato é que, na política sergipana, onde muita gente fala quinze minutos para não dizer meia verdade, Alessandro responde em poucas linhas e deixa o recado sentado na cadeira.

Nesta entrevista, o Portal Fausto Leite manteve o tom crítico, leve e provocativo, como tem feito com todos os pré-candidatos. Alessandro recebeu perguntas sobre renovação, independência, Brasília, adversários, fake news, bolsonarismo, interior sergipano e sua relação com os demais nomes da disputa. E respondeu tudo. Sem rodeio, sem maquiagem, sem pedir para “ver depois com a equipe”.

A entrevista mostra um Alessandro fiel ao próprio personagem político: delegado de formação, senador de estilo institucional, técnico na linguagem, duro na crítica e pouco interessado em agradar por simpatia artificial. Pode-se concordar ou discordar dele, mas é difícil negar que Alessandro tem uma marca rara na política: fala pouco, mas fala com endereço.

A seguir, a entrevista completa com Alessandro Vieira.

Portal Fausto Leite: Alessandro, o senhor foi eleito em 2018 como símbolo da renovação e da independência. Oito anos depois, ainda se considera o candidato contra a velha política ou já percebeu que, em Brasília, até a renovação precisa aprender onde fica o cafezinho dos acordos?

Alessandro Vieira: ⁠Ao longo do mandato foi possível confirmar que com qualidade técnica e seriedade é possível construir um espaço relevante na política. Não tive necessidade de abrir mão da independência para pautar e aprovar projetos importantes ou captar recursos. Na verdade, depois que os interlocutores se acostumaram com a minha postura, esse processo se tornou muito fácil e efetivo. É por isso que os gestores sergipanos me apontam como o parlamentar que mais trouxe recursos para o estado.

Portal Fausto Leite Sua relação com André Moura sempre foi marcada por diferenças de perfil. André gosta de mostrar prefeitos, emendas e portas abertas em Brasília; o senhor prefere CPIs, projetos e enfrentamentos institucionais. Existe algum conflito pessoal entre vocês ou é apenas a disputa clássica entre quem trabalha no plenário e quem domina os corredores?

Alessandro Vieira: Não existe nenhum problema pessoal com o ex-deputado ou qualquer outro político, o que existe é uma óbvia diferença de perfil. A carreira de André Moura tem uma pauta. A minha é pautada justamente pelo combate a esse tipo de figura.

Portal Fausto Leite: O senhor e Rogério Carvalho foram eleitos juntos em 2018, mas seguiram caminhos políticos bastante diferentes. Rogério representa o PT e o campo de Lula; o senhor construiu uma imagem de independência. O que restou daquela convivência eleitoral: respeito, distância ou apenas o cumprimento educado quando o elevador do Senado fecha?

Alessandro Vieira: A relação com Rogério Carvalho é apenas institucional, não temos relação pessoal. 

Portal Fausto Leite: Edvaldo Nogueira apresenta sua experiência administrativa como principal credencial para o Senado. Eduardo Amorim recorda o mandato e sua atuação na saúde. André Moura vende articulação. André Davi aposta no crescimento nas pesquisas. Qual é o diferencial real de Alessandro Vieira diante de tantos currículos que já chegam ao eleitor com moldura e iluminação própria?

Alessandro Vieira: O eleitor vai ter a oportunidade de avaliar os 8 anos de trabalho e comparar com os adversários. O volume de entregas em todos os municípios é muito grande e o reconhecimento de prefeitos e do governador é público. Isso foi construído sem abrir mão da independência e da honestidade. Como Sergipe é terra de muro baixo, todos sabem da minha conduta e das diferenças com relação aos adversários. 

Portal Fausto Leite: Rodrigo Valadares tenta ocupar o espaço mais identificado com o bolsonarismo em Sergipe. O senhor, que começou apoiando algumas pautas do governo Bolsonaro e depois se tornou um dos seus principais críticos, considera Rodrigo um adversário ideológico, eleitoral ou apenas mais um candidato tentando pegar carona numa polarização nacional que nem sempre funciona em Sergipe?

Alessandro Vieira: O deputado Rodrigo aposta em narrativa ideológica atrelada a padrinhos nacionais. O eleitor vai avaliar se isso é relevante para melhorar sua vida. Eu acredito que não. 

Portal Fausto Leite: O senhor ganhou projeção nacional com a CPI da Pandemia, o PL das Fake News e a CPI do Crime Organizado. Mas o eleitor de Canindé, Tobias Barreto ou Propriá pode perguntar: muito bem, senador, e o que chegou efetivamente à minha cidade? Como responder à crítica de que Alessandro é conhecido em Brasília, mas ainda precisa ser mais visto nas ruas de Sergipe?

Alessandro Vieira: ⁠O eleitor de Propriá vai lembrar do meu trabalho para trazer o campus da UFS, o de Canindé vai pensar no trabalho pela adutora do leite e os perímetros irrigados e o de Tobias vai lembrar dos investimentos em saúde e infraestrutura. Em todas as cidades existem resultados concretos do mandato, ao mesmo tempo que os temas nacionais contam com a minha participação ativa. Escuto de muitos sergipanos um sentimento de orgulho por ter um representante da nossa terra se destacando nacionalmente.

Portal Fausto Leite: O PL das Fake News transformou o senhor em alvo de críticas da direita e em personagem frequente de debates sobre censura. O senhor reconhece que a proposta teve falhas de comunicação ou acredita que parte dos adversários preferiu gritar “censura” porque explicar o projeto inteiro daria mais trabalho do que produzir um vídeo de trinta segundos?

Alessandro Vieira: O PL das fakenews antecipou o debate global sobre a necessidade de regular a atuação das Big Techs e proteger os usuários. Foi vítima de uma campanha pesada de desinformação, com mentiras pagas e impulsionadas pelas próprias empresas. Hoje o cidadão médio já tem consciência dos riscos do ambiente digital, mas é preciso avançar e legislar. Deixar que o Judiciário ocupe esse papel não é uma boa solução. 

Portal Fausto Leite: Para fechar, senador, entre André Moura, Eduardo Amorim, Edvaldo Nogueira, Rogério Carvalho, Rodrigo Valadares, André Davi e os demais nomes da disputa, quem representa o adversário mais difícil para o senhor: o que possui mais prefeitos, o que tem mais partido, o que aparece melhor nas pesquisas ou aquele que consegue convencer o eleitor de que já venceu antes mesmo da campanha começar?

 Alessandro Vieira: Não me preocupo com adversários, a preocupação é garantir que o eleitor faça sua escolha bem informado sobre todos os candidatos. Confio no eleitor sergipano, ele já mostrou várias vezes que não gosta de bandidos e falastrões. Ele prefere honestidade e trabalho, que são marcas do nosso povo.

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