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De Mulher para Mulher: coragem para viver o prazer sem desculpa

Aos 60 anos, muitas mulheres ainda são ensinadas a acreditar que o desejo tem prazo de validade. Em Sergipe, essa crença se mostra ainda mais enraizada por conta de fatores culturais e educacionais que, historicamente, limitaram a liberdade feminina. O silêncio em torno do prazer, o peso da moralidade e o olhar crítico da sociedade transformaram a sexualidade da mulher madura em um tema quase proibido. Mas a realidade é outra: o desejo não se aposenta. Ele se reinventa.

Falo isso não apenas como jornalista, mas como mulher. Aos 50+, separada e vivendo sozinha, descobri que a maturidade pode ser leve, tranquila e surpreendentemente prazerosa. Nunca tive tanto domínio sobre o meu tempo, sobre minhas escolhas e, sobretudo, sobre o meu corpo. Aprendi que a sexualidade, quando não está mais a serviço da cobrança social ou da expectativa do outro, pode ser vivida com uma liberdade inédita. Lembro-me de uma viagem a Paris, pouco tempo após minha separação: caminhei pela cidade como quem caminha por dentro de si mesma, sem medo, sem pressa, apenas aberta ao que a vida tinha a oferecer. E foi nesse período que percebi que não precisava de validação externa para me sentir desejada, bastava gostar de mim mesma.

Esse é o ponto que quero trazer para as mulheres sergipanas. Muitas ainda carregam dentro de si a trava do julgamento: o medo do que vão dizer, da comparação com a juventude, da ideia equivocada de que prazer depois dos 60 é inadequado. É preciso dizer com clareza: não é. Eu mesma já ouvi amigas perguntarem se não me sentia “velha demais” para começar novos relacionamentos. Minha resposta foi simples: velha para quê? Para sentir desejo? Para me divertir? Para ser feliz? Nunca. A maturidade não é um fim, é um recomeço e um dos mais bonitos.

O amadurecimento pode ser libertador. A mulher que chega aos 60 já não precisa provar nada a ninguém. Nem ao marido, nem à sociedade, nem ao espelho. É nesse momento que surge a oportunidade de reconectar-se com a própria essência e viver a sexualidade de forma mais consciente, criativa e intensa. O prazer não depende apenas de hormônios ou da juventude do corpo, mas da forma como cada mulher se vê, se permite e se autoriza a viver novas experiências. E posso afirmar: quando nos abrimos ao novo, seja uma conversa instigante, um toque inesperado ou até mesmo a ousadia de experimentar algo que nunca tínhamos permitido a nós mesmas, a vida floresce de um jeito poderoso.

Em Sergipe, onde a tradição ainda pesa, esse processo de libertação é um desafio. As mulheres de Aracaju, de Estância, de Lagarto, de Propriá, têm dentro de si uma força imensa, mas muitas vezes contida. É hora de se soltar, de gostar mais de si próprias, de serem mais valentes no dia a dia. O prazer não é luxo, não é frivolidade, não é egoísmo. É direito. E quando a mulher se apropria dele, rompe não apenas com o etarismo que a tenta silenciar, mas também com toda a lógica de invisibilidade que insiste em colocá-la à margem.

Aos 60, a beleza já não é mais a ditada pela juventude, mas sim a da autenticidade. A sexualidade deixa de estar vinculada à obrigação ou ao olhar do outro e passa a ser escolha pessoal, experiência íntima, ato de liberdade. Eu mesma já vivi situações em que precisei escolher entre me moldar ao que esperavam de mim ou simplesmente viver aquilo que me fazia feliz e a segunda opção foi sempre a mais leve, a mais verdadeira. Quando a mulher se liberta das comparações com a versão mais jovem de si mesma, abre espaço para viver o presente sem culpa, sem concessões, sem vergonha. E isso é um gesto revolucionário.

O maior convite que posso fazer às mulheres é este: não deixem que o calendário dite o fim da feminilidade. A maturidade pode ser o momento mais intenso, mais criativo e mais verdadeiro da vida. A coragem para se colocar em primeiro lugar, para sentir sem pedir desculpas, para viver sem medo de julgamentos, é o que torna cada mulher única. O desejo não desaparece com a idade. Ele se transforma, se expande, se refina. E, quando é vivido com coragem, faz florescer uma potência que nenhuma linha do tempo é capaz de apagar.

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