A política tem um detalhe curioso: secretário bom é aquele que trabalha tanto que quase ninguém lembra seu nome. Quando começa a virar manchete por não resolver problemas antigos, é sinal de que alguma engrenagem deixou de funcionar. A exoneração de Joubert Denner Santos de Oliveira da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Estância não surpreendeu os bastidores. Pelo contrário. Há muito tempo a cidade comentava que mudanças na pasta eram apenas uma questão de calendário. Joubert ocupava a secretaria desde a reforma administrativa de 2017, atravessando diferentes momentos da administração municipal.
O prefeito André Graça, que vem construindo uma imagem de gestor presente e disposto a imprimir seu próprio ritmo, optou por fazer aquilo que muitos governantes evitam: mexer em uma área considerada sensível. E fez isso sem transformar a decisão em espetáculo. A leitura política é simples. Quando um gestor entende que determinado setor deixou de acompanhar a velocidade da administração, trocar o comando passa a ser um ato de responsabilidade administrativa, não de perseguição pessoal.
A cobrança sobre a Secretaria do Meio Ambiente não nasceu ontem. A região da Praia do Saco, um dos maiores cartões-postais turísticos de Sergipe, convive há anos com desafios ligados ao ordenamento ambiental, ocupação do solo, licenciamento, preservação costeira e desenvolvimento sustentável. Grande parte dessas demandas ultrapassa a competência exclusiva do município, envolvendo órgãos estaduais e federais. Ainda assim, na percepção de muitos moradores e setores ligados ao turismo, a secretaria precisava apresentar respostas mais visíveis e maior capacidade de articulação.
Isso não significa ignorar o trabalho realizado por Joubert Denner. Ao longo dos anos, ele participou de diversas ações administrativas e acompanhou importantes processos ambientais do município. Toda gestão pública deixa acertos e também pendências. O problema é que, na política, o cidadão costuma medir resultados menos pelo esforço interno da administração e mais aquilo que consegue enxergar no dia a dia. Quando o problema permanece, pouco importa quantas reuniões foram realizadas dentro do gabinete.
A decisão de André Graça também transmite uma mensagem importante para o restante do secretariado. Nenhuma cadeira é permanente quando a administração entende que chegou o momento de renovar estratégias. Em vez de insistir no piloto automático, o prefeito preferiu trocar a engrenagem. É um gesto que costuma ser bem recebido por quem espera dinamismo da gestão pública. Afinal, administração eficiente não é aquela que evita mudanças, mas aquela que sabe reconhecer quando elas se tornam necessárias.
Estância vive um momento de valorização cultural, fortalecimento do turismo e retomada de investimentos públicos. Esse cenário aumenta naturalmente o nível de cobrança sobre todas as secretarias. O desafio agora deixa de ser apenas a substituição de um secretário e passa a ser a capacidade da nova equipe de apresentar resultados concretos. Porque, no fim das contas, o cidadão não quer saber quem ocupa a sala da secretaria. Quer apenas que a cidade avance, que os problemas sejam enfrentados e que a beleza de Estância, especialmente da Praia do Saco, seja acompanhada por uma gestão ambiental à altura da sua importância para Sergipe.




