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Dia da Polícia Unida: quando até a farda cansou de apanhar calada

No dia 9 de maio, Sergipe parou para lembrar de algo raro: união entre as forças de segurança. Sim, você leu certo. Em tempos em que cada corporação puxa seu lado da corda, essa data virou um símbolo do que acontece quando policiais civis, militares, penais e bombeiros decidem que basta — e se unem por um direito básico: o adicional de periculosidade.

Quando o silêncio virou grito

Dia Estadual da Polícia Unida não saiu da cabeça de nenhum marqueteiro em gabinete. Ele nasceu da mobilização real, intensa, e muitas vezes ignorada dos próprios agentes da segurança pública sergipana. Foram meses de luta, enfrentamento político e desgaste institucional até que o que era grito virou lei.

O resultado? Aprovadas as Leis nº 9.204/2023 e 9.512/2024, que garantem o retorno do adicional de periculosidade — um direito básico, diga-se, para quem tem como rotina o risco de não voltar pra casa.

E como prêmio simbólico, veio a Lei nº 9.664/2025, criando oficialmente o 9 de maio como o Dia da Polícia Unida em Sergipe.

União entre fardas: exceção ou futuro?

A pergunta que fica é: será que essa união foi só um momento de necessidade ou um novo modelo de mobilização? Em um país onde segurança pública serve mais como discurso político do que política pública de fato, ver soldados, investigadores e bombeiros de mãos dadas é quase subversivo.

Afinal, por décadas, as corporações foram divididas — por função, por salário, por ideologia. E o sistema agradece: dividir sempre foi estratégia eficaz para manter tudo como está.

Mas quando o salário aperta, o reconhecimento não vem, e o risco continua diário, até a farda se cansa de apanhar calada.

O que o resto do país tem a ver com isso?

A movimentação sergipana acendeu um alerta (ou esperança) no restante do Brasil. Se em um dos estados mais esquecidos da federação foi possível unir forças em prol de uma causa comum, por que não em outros?

Aliás, vale lembrar: 9 de maio também marca o Dia do Policial Civil em Goiás e o Dia da Europa (sim, aquele da união pós-guerra). Coincidência ou não, tudo gira em torno de união — algo cada vez mais raro em tempos de polarização, inclusive entre quem deveria estar do mesmo lado da trincheira.

A farda protesta. E agora?

A criação do Dia da Polícia Unida é um marco. Mas se ficar só na homenagem, vira só mais uma data no calendário. O que se espera é que essa mobilização não pare. Que sirva de exemplo. Que inspire.

Porque se nem os profissionais da segurança pública forem valorizados, quem vai garantir segurança a quem?


Você acha que esse tipo de mobilização deve se espalhar pelo Brasil? Ou ainda acredita que cada corporação deve seguir sua luta separada? Comenta aqui embaixo e compartilhe com quem precisa refletir sobre o papel da segurança pública no país.


Fontes principais:

  • Assembleia Legislativa de Sergipe
  • SINPOL Goiás

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