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Do sergipano ao paulistano: Lula muda o comando da Secretaria-Geral

A dança das cadeiras no Planalto ganhou mais um capítulo. Lula decidiu trocar Márcio Macêdo por Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência. A troca, segundo os analistas mais atentos, não é de ruim para melhor, é de ruim para péssimo. Sai um ministro apagado, entra um deputado barulhento. O governo troca o silêncio constrangedor por um megafone.

Márcio Macêdo, sergipano de longa data, passou todo o mandato na corda bamba. Era o ministro do “cai, não cai”. Lula, em público, já tinha lhe dado recados claros: “menos discurso e mais entrega”. Mas nada mudou. Faltou articulação, faltou presença, faltou resultado. Na prática, ele nunca ocupou de fato o espaço que a pasta exigia.

Agora, o que se desenha é o seguinte: Macêdo volta para Sergipe para tentar salvar sua carreira política. O caminho mais natural é disputar vaga de deputado federal, até porque sonhar com Senado parece um salto grande demais para quem saiu pequeno do Planalto. Caso não vingue, deve acabar bem acomodado em algum cargo de confiança, desses que seguram escândalos e dão sobrevida política.

Já Lula aposta em Guilherme Boulos, o queridinho da militância e pupilo político desde a disputa pela Prefeitura de São Paulo. É um gesto claro: reforçar a base à esquerda e dar palco a quem sabe falar alto para movimentos sociais. O problema é que barulho não é sinônimo de governabilidade. Se Márcio Macêdo falhou por omissão, Boulos pode falhar pelo excesso de protagonismo.

No fim das contas, quem perde é o país, que assiste a mais uma reforma ministerial marcada por improviso e cálculo eleitoral. A Secretaria-Geral da Presidência, que deveria ser ponte entre governo e sociedade, virou degrau para ambições pessoais. Márcio Macêdo desceu do palco sem brilho. Boulos sobe com holofote demais. E Lula, no meio disso tudo, mostra que sua reforma não passa de rearranjo de interesses, do ruim para o péssimo.

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