Tem domingo que é para descansar. E tem domingo que é para fazer aquilo que o Portal Fausto Leite já transformou em tradição, recapitular, com humor, com carinho e com aquela tranquilidade de quem senta na varanda para prosear, tudo o que publicamos ao longo da semana. É o nosso jeito de pegar a política, a cidade, os bastidores e as confusões do poder, dar uma mexida boa na panela e servir para você em forma de resumo. Porque, convenhamos, a semana no Brasil e em Sergipe nunca decepciona. Quando não falta lógica, sobra personagem.
Todo domingo, a gente abre essa janela para que você tenha, de forma leve e divertida, a exata noção do que foi o Portal Fausto Leite na semana. O que movimentou os bastidores, quem apareceu demais, quem sumiu na hora errada, quem discursou como santo e agiu como malabarista de conveniência. Tudo isso sem cara fechada, sem ranço e sem enrolação. Aqui a notícia vem arrumada, mas não vem engessada. Vem com riso, ironia e aquela pitada de stand-up que a política insiste em merecer.
Então ajeite a cadeira, pegue o café, o suco ou o que estiver mais à mão, porque o nosso Domingo do Portal Fausto Leite está no ar. É resumo com afeto, deboche na medida certa e muita vontade de fazer você lembrar, rindo, de tudo aquilo que aconteceu nos últimos dias. Afinal, se a semana já foi uma mistura de drama, comédia e trapalhada institucional, nada mais justo do que fechar tudo com inteligência, leveza e boas gargalhadas.
Quando o governador descobre que André faz falta – Fábio Mitidieri parece ter descoberto o óbvio com atraso de delivery: eleição não se ganha só com cargo, sorriso e fita para cortar. Sem André Moura, o tabuleiro de 2026 começou a parecer mais estrada de barro do que tapete vermelho. Agora corre atrás como quem perdeu o carregador do celular em dia de viagem. Em política, meu amigo, tem aliado que quando sai não deixa vazio, deixa cratera.
Bolsa para estudar, creche em obra e faculdade por conveniência – O Brasil inventou a educação por cashback: o aluno vai para a escola, o governo manda um PIX e todo mundo finge que isso é revolução pedagógica. Enquanto isso, creche não fica pronta, escola não chega e a federal perde para a faculdade da esquina porque o aluguel está mais caro que o sonho universitário. Resumo da ópera: o aluno recebe para estudar hoje e a estrutura talvez chegue quando ele já estiver no TCC do mestrado.
Laércio abre a porta, Gustinho entra e o governo finge que não viu – A filiação de Gustinho Ribeiro ao Progressistas teve clima de casamento político, com padrinho sorrindo, convidados animados e ausência que falou mais alto que discurso. Fábio Mitidieri não foi, não mandou representante e deixou no ar aquele silêncio que em política vale mais que nota oficial. Laércio abriu a casa, Gustinho chegou com tropa e o PP resolveu avisar que não quer mais ser coadjuvante de festa dos outros. Tem partido que cresce no grito. Esse aí resolveu crescer no cálculo.
Rodrigo Valadares e a aula básica de geopolítica para adultos distraídos – Enquanto muito deputado ainda está preso no debate de corredor e cafezinho, Rodrigo Valadares resolveu lembrar um detalhe básico ao mundo. Míssil em país vizinho não é diplomacia, é confusão de alto padrão. A moção contra-ataques do Irã foi o recado parlamentar de que paz não é poesia de conferência. É regra. E, no Oriente Médio, esquecer isso costuma dar um trabalho danado.
Flávio Dino mexeu no vespeiro e a toga sentiu o vento – Durante muito tempo, punição de magistrado no Brasil parecia prêmio de fim de carreira com salário garantido. Flávio Dino resolveu estragar a festa. Primeiro mexeu nos penduricalhos. Agora cutucou a aposentadoria compulsória como castigo elegante. Em resumo, o Dino entrou na sala, acendeu a luz e estragou a mágica. Tem muita gente no Judiciário torcendo para o interruptor queimar.
Alessandro e o fio desencapado de Brasília – Quando Alessandro Vieira mexeu em tema que encosta no escritório ligado à família de Alexandre de Moraes, o sistema reagiu como reage sempre. Com processo, nota e cara feia. Em Brasília, perguntar demais continua sendo esporte radical. O senador puxou um fio que pode dar em lugar sensível. E fio sensível, no Brasil, ou apaga a luz ou revela onde estava o curto.
Aracaju fez 171 anos com festa de capital que aprendeu a se gostar – Aracaju resolveu comemorar aniversário sem cara de solenidade de repartição. Teve música, cultura, fé, povo na rua e Esquadrilha da Fumaça riscando o céu para lembrar que festa boa também pode ter organização. A gestão de Emília Corrêa acertou ao trocar a comemoração tímida por celebração de verdade. A cidade ficou com cara de cidade viva. E isso já é meio caminho andado.
Brasil à venda ou só na promoção patriótica – O caso da Bahia escancarou uma dúvida séria com cara de pergunta inconveniente. O Brasil está atraindo investimento ou terceirizando pedaços da própria soberania com sorriso no rosto. O discurso fala em desenvolvimento. A realidade trouxe denúncia de trabalho degradante, pouca transparência e um silêncio institucional de fazer inveja a mosteiro. País que não define limite vira terreno dos outros.
A voz embargada e o tabuleiro que começou a andar sozinho – Fábio Mitidieri embargou a voz no aniversário de Aracaju e a política fez o resto. Em Sergipe, quando a voz trava em público, o bastidor destrava em velocidade máxima. Valmir no jogo, Priscila no radar, Ricardo Marques se mexendo e o governismo tentando chamar de estabilidade o que já está com cheiro de rearrumação. Tem disco mudando e nem todo mundo percebeu a troca da faixa.
Janela partidária, o festival da coerência temporária – A janela partidária entrou na reta final e, como sempre, virou campeonato de justificativa criativa. Todo mundo diz que mudou por projeto, por ideia, por futuro, por afinidade. Tradução. Mudou porque fez a conta. Em Sergipe, a janela não abre só partido. Abre interesse, medo, cálculo e aquela vocação nacional para trocar de camisa sem perder o discurso.
ECA Digital, a internet agora com crachá e fiscalização na porta – O Brasil resolveu apertar o cerco no ambiente digital para proteger crianças e adolescentes. A intenção é boa. O debate é espinhoso. Plataformas agora terão que vigiar mais, famílias terão que acompanhar mais e adolescentes vão descobrir que a internet livre da caixinha “tenho mais de 18 anos” ficou no passado. A dúvida segue no ar. Proteção necessária ou vigilância com embalagem de boa intenção.
Gracinha fez a maior presença justamente ficando ausente – Na filiação de Gustinho ao PP, quem mais chamou atenção foi quem não apareceu. Gracinha de Itaporanga. Em política, ausência bem calculada vale mais que selfie com tapinha nas costas. Ela seguiu onde tem espaço real, voto de verdade e promessa menos parcelada. Enquanto isso, o PP tenta ser direita, esquerda e centro ao mesmo tempo. Virou um GPS emocional com crise de identidade.
O PSB e a pomba que desaprendeu a encontrar pouso – O símbolo é bonito. Pomba branca com galho de oliveira. A prática em Sergipe anda menos bíblica e mais aérea em pane. João Campos veio, discursou, sorriu e foi embora deixando no ar a pergunta que decide eleição. Cadê o dinheiro. Sem fundo, sem estrutura e sem rumo claro, a pomba começou a perder passageiro. Em política, até a paz precisa de combustível.
A certidão saiu e a gestão de Socorro passou no sufoco – A Certidão Negativa de Socorro finalmente apareceu, mas só depois de pressão, cobrança e incômodo público suficiente para esquentar gabinete. O problema nem foi a emissão em si. Foi o fato de algo básico virar novela burocrática com suspense político. Quando a máquina só anda no grito, não é eficiência. É susto administrativo com carimbo no fim.
Natanzinho, o filho do canso, tomou a live e levou o juízo junto – Natanzinho não participou do evento. Ele sequestrou emocionalmente a audiência. Entrou feliz, saiu viral e transformou espontaneidade em patrimônio cultural da internet nordestina. Wesley Safadão entendeu rápido que o homem não estava no palco. Estava no centro da memória afetiva do povo. A live tinha estrutura. Natanzinho tinha carisma, caos e uma ressaca com vocação para lenda.
Deijaniro Jonas, a gravata e a lembrança de que respeito não é favor – No caso das ofensas às árbitras, o futebol mostrou mais uma vez seu lado tosco. Mas desta vez houve reação institucional. Deijaniro Jonas entrou em cena e levou o problema para onde ele dói de verdade. O sistema. Em vez de tratar machismo como “coisa do jogo”, chamou o jogo para a responsabilidade. E isso, no futebol brasileiro, já é quase um lance histórico.
Pastor Diego e a fé que entrou no plenário sem pedir desculpa – Ao aprovar moções para a Igreja Quadrangular e o pastor Mário de Oliveira, Pastor Diego fez mais que homenagem. Fez sinalização política com nitidez. Em um tempo em que muita gente esconde convicção para agradar auditório, ele fez o contrário. Assumiu base, discurso e identidade. Pode até desagradar alguns. Mas política sem identidade vira só coreografia de conveniência.
A axé do Master na Bahia e o Brasil das coincidências milionárias – O caso Master segue naquele padrão nacional que parece ficção mal escrita, mas é planilha. Contratos grandes, nomes pesados, família influente, consultoria milionária e decreto conveniente. Quando a nora de Jaques Wagner entra na história com milhões, Mantega aparece na vizinhança e Lewandowski surge no roteiro, o problema já não é falta de informação. É excesso de coincidência com nota fiscal.
Parabéns ao Sargento Moraes, patrimônio afetivo da tropa – Tem gente que faz aniversário. E tem gente que mobiliza continência afetiva. Sargento Moraes é desse segundo time. Militar, sindicalista, ex-vereador e figura querida, construiu reputação de quem sabe comandar, aconselhar e fazer rir ao mesmo tempo. Em Sergipe, há personagens públicos. E há personagens que viram patrimônio emocional da categoria. Moraes já está nessa prateleira faz tempo.
Sergipe x Confiança, quando a cidade inteira vira arquibancada – Clássico maior não se joga só no estádio. Se espalha na padaria, no bar, na varanda, no rádio e na mesa do almoço. Sergipe e Confiança transformaram Aracaju num estádio emocional a céu aberto. O Batistão recebeu a final, mas a cidade toda entrou em campo. Em dia assim, até quem diz que não gosta de futebol acaba perguntando o placar com a voz de torcedor disfarçado.
Alessandro, o homem que quer todos os votos e nenhuma cerca – O editorial do fim de semana tem personagem conhecido. Alessandro Vieira, o político que fala com todos, flerta com todos e parece acreditar que coerência é acessório de campanha. Quer voto de um lado e simpatia do outro, como se a tabela periódica aceitasse mistura feita no improviso. Emília, inteligente como é, não cai em conversa de bom moço. E Sergipe já percebeu que, às vezes, moderação demais é só oportunismo de terno bem passado.




