Se o mundo está num tabuleiro de War em escala global, Sergipe resolveu montar o seu próprio jogo. Só que aqui, as peças não são territórios, mas partidos políticos e o mais disputado deles no momento é o PL. O que deveria ser uma legenda organizada para liderar a oposição, virou um campo de batalha em que dois generais duelam pelo controle: Edivan Amorim, o cacique que não larga o comando, e Rodrigo Valadares, o deputado que chega com a bênção da família Bolsonaro e disposição para virar a mesa.
Edivan, acostumado a chefiar o PL com mão de ferro, hoje parece aquele jogador que insiste em defender território sem carta de reforço: quanto mais aperta, mais perde. Seu estilo centralizador afastou aliados, criou rachaduras internas e deixou o partido com menos fôlego do que deveria ter em Sergipe. O resultado é um PL que, em vez de crescer, parece implodir lentamente, vítima do excesso de controle e da falta de diálogo.
Do outro lado, Rodrigo Valadares entra na partida com fôlego novo. Não é apenas um nome de ocasião: é um jogador estratégico, capaz de atrair apoios e reposicionar o PL no tabuleiro político do Estado. Sua proximidade com Jair Bolsonaro e com a família presidencial o coloca em posição de destaque nacional, algo que nenhum outro nome sergipano dentro do partido de oposição consegue ostentar. Rodrigo não joga para sobreviver: joga para vencer. É por isso que tantos aliados, alguns silenciosos, outros já declarados, enxergam nele a chance de reconstruir o partido em Sergipe.
E, como em todo jogo político, cada jogada tem seus efeitos colaterais. Se Rodrigo assumir o comando, a diáspora será inevitável: alguns baterão em retirada, outros correrão para se alinhar a ele. Mas o saldo tende a ser positivo, porque quem hoje se afasta do PL pela gestão centralizadora de Edivan pode enxergar em Rodrigo uma porta de entrada para um partido mais aberto e competitivo. Já figuras importantes como Valmir e Francisquinho, que hoje exercem liderança no tabuleiro, sabem que a nova configuração pode redefinir seus espaços, talvez para ampliar sua força, talvez para reduzi-la. O certo é que, com Rodrigo no comando, ninguém continuará jogando do mesmo jeito.
Nem todos, porém, assistem calados. O ex-governador Antônio Carlos Valadares já tentou desqualificar Rodrigo, chamando-o de lulista reciclado em bolsonarista, mas a fala soa mais como desabafo de quem perdeu território familiar do que como crítica consistente. Enquanto isso, figuras como o governador Fábio Mitidieri, André Moura e o senador Alessandro Vieira seguem observando: qualquer mudança no comando do PL mexe no equilíbrio de forças locais e pode rebaralhar o jogo das próximas eleições.
No fim, o que está em jogo é simples: o PL de Edivan Amorim é um partido fechado em si mesmo; o PL de Rodrigo Valadares pode se tornar um partido aberto para crescer e disputar poder de verdade em Sergipe. E é exatamente isso que assusta os adversários internos e externos.
A partida está em andamento. Edivan tenta segurar o dado com a mão, impedindo que Rodrigo jogue. Mas a pressão aumenta, e a cada rodada fica mais difícil manter o controle. Rodrigo, por sua vez, se prepara para lançar os reforços e assumir o tabuleiro. Resta saber se Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, vai deixar Sergipe continuar como território encolhido sob comando de Edivan, ou se dará a chance para Rodrigo transformar o Estado em peça estratégica do jogo nacional. Porque em Sergipe, diferente do War de tabuleiro, não basta defender território: é preciso mostrar quem tem fôlego para atacar.




