Se fosse rádio, entrava a vinheta de “exclusiva” agora. O fato é simples: Ricardo Marques virou o brinquedo novo da política sergipana. Todo mundo quer, todo mundo chama, todo mundo promete carinho. Se deixar, vai ter fila de vereador, deputado e dirigente partidário para fazer serenata debaixo da janela dele.
No Japãozinho, no evento da Prefeitura, vimos o espetáculo ao vivo: vereadores do União Brasil abrindo o peito e o gogó para convidar Ricardo a se juntar ao time. E não foi convite tímido não, foi convite sedutor, embalado em elogios e promessas de estrutura. Porque, claro, o União sabe que, se Ricardo entrar, ganha voto, ganha nome e ganha mídia.
E enquanto isso, lá no Palácio, Fábio Mitidieri aproveitou para jogar confete: chamou Ricardo de “amigo”, elogiou a “política com P maiúsculo”, quase mandou flores junto. Para um governador que sempre mede as palavras, foi praticamente uma declaração pública de afeto. Quem saiu do evento sorrindo de orelha a orelha? Ricardo. Ego inflado, peito estufado e a sensação de que hoje ele é a joia da coroa sergipana.
Mas calma: a história não acaba aí. A prefeita Emília Corrêa, que não nasceu ontem, percebeu o perigo e tratou de marcar território. Postou nos stories, fez questão de elogiar, chamou Ricardo de parceiro, disse que o grupo precisa dele. Foi quase um “fica comigo, não vá embora”. Traduzindo: Emília sabe que se perder Ricardo, perde um braço. E talvez até uma perna.
Porque sejamos claros: quem é que dá leveza à gestão de Emília? Quem é que tem carisma, mídia, discurso e voto? É Ricardo. O delegado André Davi é combativo, mas não tem a simpatia de Ricardo. Thiago de Joaldo pode ser querido, mas não tem a presença urbana que Emília precisa mostrar em Aracaju. Ricardo, sim, é a cara boa do projeto. Se ele sair, a engrenagem emperra.
E por que todo mundo quer Ricardo? Porque ele é um coringa: foi jornalista respeitado, virou vereador combativo, é simpático, transita com Mitidieri, com Zezinho, com Alessandro, com todo mundo. Não arruma briga, não fecha portas. É leve, é político sem cara de político. Esse é o perfil que todo partido sonha em ter.
A pergunta, portanto, não é mais “se Ricardo vai ser candidato”, mas sim “por onde ele vai ser candidato”. União Brasil, PL, Republicanos, Cidadania, Podemos… todos querem abrir a vaga para ele. E se Emília não se mexer rápido, vai ver o coringa trocar de baralho.
E aqui vai o recado direto: quem segurar Ricardo Marques não vai ganhar só um aliado, vai ganhar a peça que pode mudar o jogo em 2026. Quem perder, vai passar anos lamentando e culpando os ruídos internos. No fim, Ricardo pode até não gostar da comparação, mas hoje ele é como aquele prato raro de comida de festa: todo mundo quer um pedaço, mas só um vai sair da mesa satisfeito




