Em tempos de fake news, nada como uma laranja para mostrar como se espremem os fatos até que virem suco de ilusão. Foi o que ficou claro e hilário na entrevista do radialista Luiz Carlos Foca com Milton Andrade, quando ambos resolveram, sem medo do bagaço, tirar uma onda daquelas com o senador Rogério Carvalho, que teve a ousadia (e a criatividade!) de divulgar em suas redes sociais que teria sido o grande responsável por livrar a laranja sergipana do tarifaço de Donald Trump, segundo Foca.
Sim, você leu certo: o senador por Sergipe, segundo ele próprio, teria convencido ninguém menos que Donald Trump a tirar a laranja do tarifaço americano. É o tipo de manchete que parece ter saído de um roteiro de comédia política, daqueles que misturam diplomacia de bastidor com fantasia de rede social.
Luiz Carlos Foca, com sua língua afiada e ironia digna de stand-up político, não deixou passar batido. Jogou no ar, com aquele sorriso de quem já sabe a resposta: “Será que foi o nosso senador que livrou a laranja do tarifaço de Trump?” E Milton Andrade entrou no jogo sem nem precisar de aquecimento: “Talvez ele tenha conseguido uma exceção no McFlurry… ou quem sabe no McNuggets… vá lá, até uma trégua na batata do McFritas. Mas na laranja? Zero. Zero contribuição.” O estúdio veio abaixo. Porque quando o argumento vira piada pronta, o palanque se transforma em picadeiro.
A gargalhada foi geral e, convenhamos, mais do que merecida. Porque a tentativa de Rogério Carvalho de capitalizar em cima de um fato que nunca aconteceu já entrou para os anais do pastelão político nacional. É como se ele tivesse dito que salvou o Titanic com um balde. A verdade é seca como laranja de fim de safra: a retirada do fruto sergipano do tarifaço foi uma decisão unilateral do governo americano. Ninguém em Brasília, seja senador de oposição, de situação, da base, do centrão ou da Academia Jedi, teve qualquer influência nisso. Nem uma ligação para o Trump, nem um e-mail para o assessor do assessor do assessor da Casa Branca. Foi um golpe de sorte, mas tem gente que, ao ver uma queda de tarifa, já quer se pendurar no cacho e posar de herói cítrico.
A bem da verdade, nenhum parlamentar brasileiro sequer foi recebido por alguém com autoridade para negociar tarifas. Foi café frio e foto de corredor. Mas aqui em Sergipe, teve político que fez parecer que salvou o agronegócio com um aperto de mão e uma selfie mal enquadrada.
Esse episódio é mais que engraçado, é didático. Mostra como fake news podem nascer dentro de gabinetes, vestidas de post de rede social, maquiadas com patriotismo improvisado. É assim que se tentam enganar os eleitores: com narrativas que cabem num tweet, mas não resistem a um Google.
É preciso que a população esteja atenta, porque essa tática é mais velha que limonada na feira: transformar um nada em tudo, dar nome a uma conquista que não existe e posar de herói de uma história que nunca foi escrita.
Com todo o respeito que se deve a um mandato, é hora de dizer: Rogério Carvalho pode até ser senador, mas não é mágico. Não existe embaixador da laranja. E não dá para pegar carona num tarifaço internacional como se fosse uma conquista doméstica. A fruta que ele tentou colher não nasceu no quintal dele, nasceu nos Estados Unidos, e sem nem saber que ele existia.
Se o senador Rogério Carvalho quer, de fato, fazer algo pela laranja sergipana e não apenas posar para selfie com copo de suco na mão, então que comece pelo básico: lutar por investimento sério em logística, estradas decentes para escoar a produção, crédito rural que funcione, programas de combate às pragas que detonam os pomares e assistência técnica digna para quem bota a mão na terra. Porque discurso em plenário e foto em Washington não enchem saco de laranja. Isso é trabalho de senador. O resto é espuma cítrica de rede social, é casca vazia tentando parecer fruto. E nesse caso, nem pra suco presta, só serve pra enganar otário ou alimentar a máquina de vaidades.





Uma resposta
Tem um bom professor de mentiras na escola do PT.