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Editorial: UB–PP em Sergipe: quem ainda duvida não entendeu a matemática do poder

Tem gente em Sergipe que ainda jura, com a mesma convicção de quem acredita em promessa de campanha, que essa federação entre União Brasil e PP não sai. É o clássico autoengano político. Oficialmente não existe, juridicamente ainda não nasceu, mas politicamente já anda, fala e faz conta. Em Brasília, a federação já está mais resolvida do que muito casamento que continua junto só por causa do plano de saúde.

No comando desse arranjo está André Moura, figura que alguns insistem em subestimar, geralmente os mesmos que depois passam quatro anos tentando entender como perderam espaço tão rápido. André tem um talento raro na política, que é não aparecer demais quando não precisa e aparecer exatamente onde importa quando chega a hora. Enquanto uns fazem barulho, ele faz conta. E conta bem. Do outro lado da mesa, Laércio Oliveira, que não entrou nesse jogo para brincar de federação temática. O senador sabe que partido sem bancada forte vira figurante em fotografia oficial. E ninguém com mandato longo gosta de ficar no fundo da foto.

A matemática da Assembleia Legislativa é cruel com quem prefere torcida organizada a planilha. São 24 cadeiras. Um quarto disso dá seis deputados. E adivinha quantas cadeiras essa federação tem no radar? Exatamente seis, com possibilidade real de virar sete se a maré subir um pouco mais do que o previsto. Não é otimismo, é aritmética com histórico eleitoral e base territorial.

Nesse tabuleiro, Cristiano Cavalcanti entra como peça central, líder do governo, bem votado, alinhado, com aquele perfil que agrada quem manda e quem executa. Kacá Santos vem no mesmo trilho, base sólida, trabalho constante e zero vocação para aventura solo. Marcelo Sobral é tratado internamente como quem recebe a melhor louça quando chega visita importante, sinal claro de aposta alta. E Luizão Dona Trump, esse já olha para outro horizonte, porque político experiente sabe a hora de sair do palco antes que o cenário mude.

No PP, Luciano Pimentel segue fazendo o que sempre fez, sobreviver bem, conversar melhor ainda e cumprir acordos, coisa rara o suficiente para virar diferencial competitivo. Neto Batalha já avisou que política não é mais seu esporte preferido, abrindo espaço para Armando Batalha, que herda base com a naturalidade de quem recebe casa já mobiliada. E entra nesse jogo Hilda Ribeiro, ex-prefeita de Lagarto e agora candidata a deputada estadual pelo PP, nome que cresce no centro-sul e ecoa bem além da região. Avaliada positivamente pelo trabalho administrativo que fez na prefeitura e pela simpatia que construiu fora do gabinete, Ilda não chega como promessa, chega como lembrança concreta de gestão que funcionou. Lidiane Lucena entra no radar como reforço externo, enquanto Tiago de Laércio chega com sobrenome, estrutura e aquele empurrão invisível que costuma funcionar muito bem nas urnas. E Pato Maravilha tenta a reeleição com voto regionalizado e fidelidade que não se compra em atacado.

Agora vem a parte que realmente importa. Com 25 mil votos, um deputado se elege com tranquilidade nesse cenário. Não precisa milagre, não precisa discurso épico, só precisa base, coordenação e alguém organizando o trânsito para ninguém se atropelar. E aí está o detalhe que passa despercebido por quem ainda acha que política se resolve no palanque. Essa federação tem comando. E quando há comando, ninguém corre em círculo.

Se fizer seis deputados, esse grupo nasce com força suficiente para definir pauta, travar projeto e, claro, escolher presidente da Assembleia. E não é segredo para ninguém que André Moura entende melhor do que muita gente que poder executivo sem base legislativa é carro potente sem volante. Quem conhece sabe. Ele não precisa dizer que quer. Ele monta o caminho para que aconteça.

No fim das contas, enquanto muita gente ainda perde tempo debatendo se essa federação existe no papel, ela já se comporta como aquilo que realmente importa na política: uma maioria em gestação avançada. E há uma regra não escrita, mas rigidamente respeitada no jogo do poder. Quem chega primeiro à maioria não consulta, não ensaia, não pede autorização. Simplesmente ocupa o espaço, fecha a porta e começa a decidir quem entra depois.

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