Sou feminista, não dessas de palco, mas das que acreditam que poder também se costura, ponto por ponto, com paciência e persistência. E convenhamos: já passou da hora de Sergipe ter uma mulher governadora. O Estado que deu ao Brasil nomes que declamavam política como poesia, João Alves, Albano Franco, Déda, Jackson, Belivaldo, Fábio, ainda não viu uma mulher sentar naquela cadeira e dizer: “agora é a nossa vez”.
Mas o problema é que o Partido dos Trabalhadores em Sergipe, hoje, parece mais uma colcha de retalhos costurada às pressas por mãos diferentes. Temos o PT de Rogério Carvalho, que joga no xadrez fino da política nacional; o PT de João Daniel, com raízes fincadas no MST e discursos inflamados de chão de roça; e o PT de Márcio Macêdo, ministro, fiel a Lula e às articulações de Brasília. Juntos, mas separados. Um verdadeiro casamento em regime de bens… sem comunhão nenhuma.
O senador Rogério Carvalho, político nato, de inteligência cirúrgica e ego calibrado, tenta unir os cacos. Mas é como tentar costurar cetim com linha de pescar: quanto mais puxa, mais rasga. Ele sinaliza, sorri, acena para o governador Fábio Mitidieri, que ora finge que vê, ora finge que não. Fábio, aliás, já disse que apoia Lula, mas apoia de um jeito bem sergipano: “apoio, mas vamos com calma, né?”.
Nos bastidores, o PT parece uma reunião de condomínio mal-humorada. Ninguém quer pagar o boleto do partido, e cada um acha que tem a melhor ideia de reforma. Enquanto isso, a sigla vai encolhendo, perdendo brilho, e o sonho de formar uma chapa forte de deputados federais parece mais um delírio nostálgico dos tempos de Déda.
Mas há uma faísca, e, curiosamente, vem das mulheres do PT. Sim, elas estão conversando. E não é papo de café com bolo, é articulação política, é sangue novo pulsando na velha veia da legenda.
Surgem quatro nomes que poderiam dar um reboot na sigla: Ana Lúcia, a eterna militante, professora e símbolo da coerência, mesmo quando a política perdeu o juízo; Candice Carvalho,elegante e firme, esposa de Rogério, que conhece o jogo e sabe onde estão os holofotes (e as armadilhas); Janaína Santos, discreta, mas com a força de quem entende que bastidor também é trincheira; e, claro, Eliane Aquino, viúva do inesquecível Marcelo Déda, mulher de fala serena e coragem herdada.
Eliane é o nome que vem sendo sussurrado entre as fileiras femininas do PT, um sussurro que soa como esperança. Viúva de Déda, aquele que encantava as multidões e falava com o povo como quem recita Drummond no palanque, ela carrega o carisma de quem conviveu com um dos maiores oradores da política sergipana.
Mas, sejamos sinceras: Eliane está em outro naipe, em outro plano de vida, em outra sintonia. Está em Brasília, zen, vivendo um momento de serenidade, de autoconhecimento, de alma lavada. E, como uma mulher de 50+, professora universitária aposentada e feminista que também já cansou de carregar o mundo nas costas, eu confesso: não sei se seria bom para ela voltar agora. A política sergipana anda mais estressante que grupo de WhatsApp de condomínio e Eliane parece estar num estágio espiritual que dispensa esse tipo de energia.
Mesmo assim, entre os petistas-raiz, há um mantra circulando nos bastidores: “só há uma salvação: Eliane Aquino”. É como se o partido estivesse à beira do colapso emocional, olhando para Brasília e rezando: “volta, Eliane, o PT precisa de ti!”.
Mas será que ela quer? Será que ela precisa? Tenho minhas dúvidas. Eliane, hoje, parece ter encontrado algo que muitos políticos perderam: paz de espírito. E paz, meus caros, é coisa rara demais para ser trocada por palanque.
Talvez o que o PT de Sergipe precise não seja mais um líder, mas uma líder. Uma mulher que saiba que política é, sim, costura de ideias, de egos, de esperanças. Uma mulher que una o vermelho do partido ao verde da esperança, com o mesmo cuidado de quem borda um sonho antigo numa nova bandeira.
E se esse nome for Eliane Aquino, que assim seja, desde que ela queira, e que venha com a leveza de quem sabe cozer sem se picar. O PT pode até estar partido, mas talvez seja ela quem saiba remendar o rasgo com linha firme, coração calmo e um mantra na cabeça. Porque, convenhamos: quando os homens brigam, quem salva o jantar e ainda arruma a mesa, é sempre a mulher.





Respostas de 2
Está quadrilha que está ous poucos está perdendo a credibilidade. o povo estão caindo na real que o PT não é um partido político e sim uma organização criminosa .Hermogens Barreto Oliveira
Realmente como esposa do então Marcelo Deda ,uma pessoa muito educada e coerente acredito eu que ela não tem interesse em estar ao lado de Rogério Carvalho entre outros do PT pois a mesma se sentiu sozinha na sua trajetória política