Esquema liderado por dois sócios movimentou R$ 300 milhões em nome de aposentados que nunca autorizaram nada. PF aponta lavagem de dinheiro com empresas de fachada.
Foi o Fantástico que escancarou, na noite deste domingo (04), o tamanho do escândalo que vinha sendo varrido para debaixo do tapete. Empresários sergipanos criaram associações fantasmas, falsificaram documentos e sugaram mais de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas via descontos indevidos no INSS.
No centro da fraude estão Alexsandro Prado Santos (o Lequinho) e Sandro Temer de Oliveira, dois empresários de Sergipe que, segundo a Polícia Federal, comandavam o esquema como uma engrenagem empresarial bem montada. Foram 21 meses de operação com aparência de legalidade, mas com estrutura típica de organização criminosa: falsificação, lavagem de dinheiro e uso de laranjas.
Associações ou negócios? Esquema usava CNPJs para roubar com CPF alheio

O esquema tinha sede física e jurídica: Aracaju. Lá nasceram a Associação Universo e a APDAP PREV, registradas como entidades sem fins lucrativos, mas funcionando como empresas de arrecadação fraudulenta. A manobra era simples: usar assinaturas falsas para simular que beneficiários do INSS haviam se filiado voluntariamente.
Com isso, começaram a cair descontos de R$ 30 a R$ 50 diretamente nos contracheques de aposentados — que, em sua maioria, nunca souberam nem do nome da tal associação.
Segundo o Fantástico, só a Associação Universo recebeu R$ 300 milhões em menos de dois anos, com um total de 629 mil “associados” — mais do que toda a população de Aracaju.
“A assinatura que foi posta no termo de filiação e na autorização de desconto são falsificadas”, afirmou o delegado Carlos César Pereira de Melo, da PF-SE.
Empresários lavavam o dinheiro usando empresas de fachada
A PF descobriu que os valores recebidos pelas associações eram distribuídos entre empresas registradas em nome de laranjas. Um dos documentos apreendidos — uma agenda pessoal de um dos investigados — detalhava a divisão do dinheiro entre os sócios.
O esquema, revelado pela reportagem dominical da TV Globo, foi o estopim para a queda do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, que não resistiu à pressão política após a repercussão do escândalo.
Como foi possível esse golpe durar tanto?
Desde 2019, o INSS permite que associações cobrem mensalidades direto da folha de pagamento dos beneficiários — com a exigência de apenas um termo assinado. Bastava isso para legalizar o desconto. O problema: ninguém fiscalizou se as assinaturas eram verdadeiras.
Foi só a insistência de uma aposentada da Bahia, descontente com os valores retirados do seu benefício, que acendeu o alerta. Ela denunciou ao Ministério Público, que acionou a PF. A perícia confirmou: a assinatura usada em seu nome era forjada.





Respostas de 3
O culpado é o governo Lula, que colocou de novo um criminoso na presidência do já falado INSS, era melhor ele continuar preso……
Você leu a matéria? A falcatrua começou em 2019. Governo de quem?
É no governo atual que o esquema está sendo investigado e desmantelado. Não percebe?