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Entre a fé e a indiferença, o mundo pede paz

O mundo parou para ouvir o Papa falar de paz, mas parece que ninguém desligou o barulho das guerras. Em pleno domingo de Páscoa, que deveria ser símbolo de renascimento, o discurso foi de alerta. Não sobre esperança apenas, mas sobre a indiferença. E talvez essa seja a palavra mais pesada de todas. Não é mais só o conflito que assusta, é a capacidade das pessoas de se acostumarem com ele. Como se fosse normal ver dor, destruição e seguir o dia como se fosse só mais uma notícia.

O Papa fez o que muitos líderes evitam, falou direto. Disse que quem tem poder precisa escolher a paz. Parece simples, quase óbvio, mas no mundo de hoje virou quase um pedido desesperado. Enquanto isso, celebrações foram canceladas, igrejas fecharam, cidades sagradas ficaram vazias. Lugares que deveriam estar cheios de fé estão cheios de medo. E quando a fé começa a pedir licença para existir, é sinal de que alguma coisa saiu muito do eixo.

E Sergipe, que parece distante disso tudo, sente de outra forma. Aqui não tem guerra, mas tem cansaço. Tem um povo que liga a televisão e vê conflito, abre o celular e vê mais tensão, e no fim do dia ainda precisa lidar com seus próprios problemas. É uma pressão silenciosa. Não é bomba, mas é peso. Peso emocional, peso econômico, peso de um mundo que parece sempre em desequilíbrio.

O mais curioso é que, enquanto lá fora se fala em paz, aqui dentro a gente ainda tenta encontrar equilíbrio no básico. É a conta que chega, é o custo que sobe, é a rotina apertada. E aí o discurso global encontra a realidade local. Porque não adianta falar de paz no mundo quando o cidadão não tem paz nem para fechar o mês. A paz começa no simples, no cotidiano, na sensação de segurança, de estabilidade, de dignidade.

No fim, a mensagem do Papa ecoa, mas fica a pergunta. Quem realmente está ouvindo. Porque falar de paz é bonito, mas praticar exige decisão. E enquanto o mundo decide se muda ou não, o sergipano segue fazendo o que sempre fez. Aguenta, observa, comenta, mas segue. Com fé, com resistência e, muitas vezes, com mais coragem do que quem deveria estar decidindo os rumos lá de cima.

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