A semana jurídica entregou um roteiro que nem o melhor redator de comédia conseguiria inventar. Na 8ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, enquanto um advogado participava da sessão remotamente direto de Paris, com direito a conversa sobre a temperatura amena francesa, outra advogada fazia sua sustentação… do banheiro do próprio tribunal. Sim, leitor, a Justiça do Trabalho conseguiu unir a Cidade Luz e o sanitário institucional numa mesma audiência, provando que o processo eletrônico realmente não discrimina CEP nem azulejo.
A cena seria constrangedora se não fosse absolutamente humana. De um lado, o advogado na França, frio elegante, conexão internacional e sotaque europeu no Wi-Fi. Do outro, a advogada brasileira, guerreira, equilibrando sinal fraco, acústica duvidosa e dignidade profissional entre uma descarga e outra, aguardando ser chamada para audiência. É o retrato fiel da advocacia contemporânea: globalizada, improvisada e, às vezes, literalmente apertada.
O grande mérito da história, no entanto, não está no contraste Paris-banheiro, mas na postura do ministro Sérgio Pinto Martins. Com tranquilidade, bom humor e nenhuma pose de divindade togada, ele conduziu a sessão como quem entende que o processo existe para servir às pessoas, e não para constrangê-las. Ouviu todo mundo, da Paris ao banheiro, com a mesma educação e serenidade. Um raro momento em que a Justiça pareceu menos carrancuda e mais civilizada.
Fica aqui o registro bem-humorado, mas com recado sério: essa postura deveria virar modelo, inclusive para a Justiça do Trabalho em Sergipe. Se o TST consegue acolher advogado em Paris e advogada no banheiro sem perder a compostura, dá, sim, para julgar processos com mais humanidade, mais escuta e menos gelo. Afinal, justiça boa é aquela que funciona até quando o advogado está entre o Sena e o vaso sanitário.




