Em Estância, a discussão sobre o campus da UFS virou aquele clássico caso em que todo mundo diz querer o melhor para a cidade, mas cada um aponta para um mapa diferente. A universidade pediu 23 mil metros quadrados úteis, acessíveis, planos, integrados à malha urbana. Ou seja, nada de heroísmo topográfico: só um espaço para estudar sem precisar de bota de trilha, drone de resgate e aula de geologia aplicada ao trajeto.
A Prefeitura de André Graça ofereceu uma área urbana, plana, com acesso, mobilidade, transporte e, principalmente, gente por perto. É o tipo de terreno que conversa com a cidade, respira fluxo, acolhe estudantes e cria vida em volta, biblioteca, lanchonete, gráfica, cursinho, economia girando. É assim que uma universidade transforma território.
Mas aí surgiu a alternativa oferecida por Ivan Leite: uma área quase seis vezes maior, só que com um pequeno detalhe, localizada numa grota, com declives, córrego e custo de implantação digno de Olimpíada de engenharia. Generosidade é bonita, claro. Porém, campus universitário não é corrida de aventura, não é trilha do Cururu, não é experimento geográfico. É infraestrutura, mobilidade, acesso, expansão urbana ordenada e segurança.
E Estância não pode trocar o futuro por vista para morro e desafio de contenção. Não é questão de quem ama mais o ensino superior, é questão de quem entende que orçamento público não é faz de conta e que cronograma de obra não é ficção científica. Campus não pode virar teste de resistência emocional pra engenheiro e meme pronto pra internet.
Mesmo quem acompanhou nas redes percebeu a dinâmica: enquanto um lado falava em “falta de diálogo”, o solo falava em “falta de condição”. Gravidade não negocia. Topografia não responde story. Riacho não vira estacionamento porque alguém discursou bonito no Facebook.
O povo quer universidade funcionando, e não um monumento à persistência humana contra buraco e barranco. O comércio quer fluxo. O transporte quer lógica. O aluno quer acesso. A cidade quer desenvolvimento real, e não uma epopeia de trator patinando e obra renegociando aditivo todo semestre.
Por isso, a área urbana oferecida pela Prefeitura é a mais adequada: viável, conectada, expansiva, pragmática. O campus no lugar certo atrai investimento, mexe com o comércio, cria empregos, movimenta transporte e transforma a cidade pela porta da frente, não pela ribanceira dos fundos. O debate é legítimo, mas a realidade venceu: Estância não precisa de aventura geográfica, precisa de universidade funcionando. O futuro agradece. A juventude agradece. E a engenharia respira aliviada. Comente opine.




