PUBLICIDADE

Ex-prefeito de Nossa Senhora das Dores é condenado por fraude de quase R$ 1 milhão: licitação foi armada em reunião prévia

Empresa fantasma, curso que ninguém viu e um contrato de R$ 986 mil assinado no mesmo dia da licitação. E depois querem que a gente acredite que foi tudo normal…

A Justiça Federal condenou o ex-prefeito de Nossa Senhora das Dores (SE), Thiago de Souza Santos, e mais quatro aliados por envolvimento em uma fraude de licitação que escancarou a velha fórmula: edital sob medida, empresa laranja e dinheiro público escorrendo pelo ralo. O contrato de R$ 986 mil, pago com verba do Fundo Nacional de Saúde, previa capacitação na área de saúde. Mas o que se viu foram cursos fantasmas, materiais que nunca chegaram e palestrantes sem qualificação.

A sentença é resultado de uma ação criminal movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que desnudou a tramoia montada em 2019, quando Thiago comandava o município. A empresa Aliança Consultoria foi contratada para prestar os tais serviços. Só que o que mais se viu foi serviço nenhum.

Tudo combinado antes

O mais escandaloso? Segundo o MPF e a Polícia Federal, a licitação foi combinada numa reunião prévia entre o prefeito, a pregoeira do município, Bhona Andrade, e Victor Boris Maciel, o verdadeiro dono da empresa (apesar de não aparecer nos papéis). O edital foi feito sob encomenda, com exigências absurdas — como comprovação de 16 profissionais da saúde no quadro permanente da empresa —, tudo para restringir a concorrência. Nem a própria Aliança atendia às regras. Mas, veja só: venceu.

No mesmo dia da sessão da licitação, o contrato foi assinado. E o empenho, claro, também foi feito rapidinho. Eficiência total — só não na entrega do serviço.

Cursos de mentira e dinheiro público no ralo

Segundo os depoimentos colhidos, os cursos previstos não foram realizados como deveriam. Houve fraudes nas listas de presençamateriais não entregues (como bolsas, cadernos e camisetas) e palestrantes que não tinham a menor condição técnica de atuar.

Resultado: R$ 191,2 mil pagos indevidamente, segundo os cálculos do MPF, com valores atualizados para 2021. E olha que isso é só o que deu pra rastrear.

As condenações

Todos os cinco envolvidos foram condenados por fraude à licitação e peculato (desvio de verba pública). As penas variam entre cinco e sete anos de reclusão, todas em regime semiaberto:

  • Thiago Santos (ex-prefeito): 7 anos
  • Antônio Lima Neto (ex-secretário de Saúde): 5 anos e 7 meses
  • Bhona Andrade (pregoeira): 5 anos e 2 meses
  • Natália Santos (sócia “formal” da Aliança): 5 anos e 1 mês
  • Victor Boris Maciel (sócio de fato): 5 anos e 1 mês

Todos também devem pagar multa de 2% do valor do contrato. A única absolvida foi Tércia Monteiro Viana Silva, assessora do então secretário, a pedido do próprio MPF.

E a improbidade?

O MPF também move uma ação de improbidade administrativa pelos mesmos fatos. O processo (nº 0800465-70.2021.4.05.8501) segue em andamento. Em tese, pode levar à inelegibilidade dos envolvidos. Mas, como sabemos, justiça lenta e ficha suja nem sempre andam juntas neste país.


E aí, quantos cursos fantasmas ainda vão ser bancados com dinheiro público?

A pergunta que não cala: quantos outros municípios estão fazendo o mesmo esquema — só que com mais cuidado para não serem pegos? E o mais irônico: o curso era de capacitação em saúde. Mas a verdadeira especialidade da turma parece mesmo ser outra: fraudar licitação.


Comente e Compartilhe:

Você acha que essas condenações realmente vão mudar algo na política local? Ou é só mais um capítulo na novela da impunidade? Comente, compartilhe e continue acompanhando o Portal Fausto Leite.


Fontes Principais:

  • Ministério Público Federal
  • F5 News
  • Infonet
  • Polícia Federal

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *