O domingo eleitoral começou cedo para Fábio Mitidieri e começou confortável. Missa, café da manhã com a família, aliados por perto e uma confiança que parecia dispensar qualquer cautela. Antes mesmo de boa parte dos sergipanos chegar às urnas, o governador já falava em uma “linda vitória” e em continuidade dos avanços de sua gestão. É uma confiança respeitável. A urna eletrônica, porém, tem pouca intimidade com entusiasmo antecipado: não toma café com candidato, não participa de missa e só entrega seu veredicto quando a votação termina.
A fotografia política também foi cuidadosamente montada. Família, religiosidade, Rogério Carvalho, André Moura e uma mensagem de unidade. Nada incomum num domingo de eleição. O detalhe divertido está no tamanho da certeza. Fábio não ficou no protocolar “estamos confiantes”. Preferiu falar em “linda vitória”. É quase como chegar ao restaurante pedindo a sobremesa antes de saber se o prato principal agradou. Só faltou alguém aparecer com o bolo. Na democracia, entretanto, prudência costuma ser uma companhia bastante útil até a última urna.
Quando o governador fala em “dar continuidade aos avanços”, resume a principal narrativa de sua campanha: a ideia de que Sergipe melhorou e deve seguir pelo mesmo caminho. A tese é legítima, mas quem decide se reconhece esses avanços é o cidadão. E o eleitor costuma usar instrumentos menos sofisticados que a publicidade para medir governo. Ele olha se há água na torneira, atendimento na saúde, escola funcionando, estrada em condições e serviço público respondendo. Campanhas trabalham muito bem com palavras. A população normalmente prefere resultados.
Fábio chegou, portanto, ao domingo tentando transmitir serenidade, união e vitória antecipada. É natural. Nenhum candidato passa meses em campanha para chegar à urna anunciando pessimismo. A ironia da democracia é outra: durante meses, políticos controlam palanque, slogan, música, fotografia e discurso. No dia da eleição, o roteiro muda de mãos. Fábio já revelou qual final gostaria de assistir. Agora quem escreve a última cena é o eleitor.




