A movimentação do governador Fábio Mitidieri em direção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é apenas institucional, é profundamente eleitoral. A conversa sobre ponte, adutora e investimentos serve como vitrine, mas o que está em jogo é a montagem de um palanque competitivo para 2026, especialmente diante do avanço do campo bolsonarista no Estado.
Ao tentar trazer para o mesmo campo nomes como Rogério Carvalho, mantendo compromissos com André Moura e Alessandro Vieira, o governador opera uma engenharia política complexa, daquelas que no papel parecem harmônicas, mas na prática geram atrito. É a velha lógica sergipana, juntar forças distintas para enfrentar um adversário comum, mesmo que isso custe coesão interna.
O problema é que algumas dessas aproximações carregam histórico. A eventual entrada de figuras como Sukita, ligada a Rogério Carvalho, pode reorganizar alianças, mas também acender conflitos locais com lideranças como Cristiano Cavalcante e outros atores regionais. Em política, toda soma tem seu preço, e nem sempre ele é pago na urna, muitas vezes é cobrado antes, nos bastidores.
Fábio parece ter feito uma escolha pragmática. Diante de um cenário polarizado, aproxima-se do campo que lhe oferece sustentação nacional, mesmo sabendo que isso pode afastar setores mais conservadores. Não é uma guinada repentina, é uma retomada. Seu histórico de alinhamento com o campo petista, desde eleições passadas, ajuda a explicar esse movimento.
Ao mesmo tempo, essa tentativa de unificação pode gerar o efeito contrário. Quanto mais amplo o arco, maior o risco de fissura. Lideranças com projetos próprios, bases distintas e histórias de confronto não se fundem apenas por necessidade eleitoral. Elas convivem, negociam, resistem. E, em alguns casos, implodem. No fim, o governador joga com as cartas que tem. O palanque com Lula pode ser hoje sua principal aposta contra a oposição. Mas é uma aposta que exige equilíbrio fino. Porque, se de um lado amplia força, do outro acumula tensão. E na política, quando a tensão cresce demais, o risco deixa de ser externo e passa a morar dentro de casa.




