No ranking dos estados, Fábio colocou Sergipe como pouco eficiente.
Seria injusto dizer que Mitidieri é um governador apático, indolente, ou assemelhado com aqueles, os professores, aos quais ele chama de “ gente preguiçosa”. Ao assumir o governo ele já se tornou incumbente a um segundo mandato , e se permitiu “ sonhar” a longo prazo. Mitidieri movimenta-se muito, em alguns casos específicos até demais. Teve sucessos em alguns setores, e no caso do turismo alardeia conquistas. Houve, em todo o país um aumento do fluxo turístico , após a contração de dois anos causado pela pandemia, e mais os fatores favoráveis do quase pleno emprego, e crescimento da renda, somados à facilidade do crédito. Mas, se compararmos Sergipe com a Paraíba e o Piauí, estados que engatinhavam no turismo, veremos que nosso “sucesso” é relativo. Qual o novo e expressivo investimento na área ? Quantos hotéis ou resorts inauguramos nesses quatro anos ?
Houve muita festa, aliás , entramos na era das festas continuas. No nosso caso pesadamente onerosas, ( uma reedição das estranhas Odontofest, dessa vez com a facilidade dos recursos públicos) e a esse clima de alegria, alegria , se atribui a atração de turistas que lotaram os hotéis de Aracaju.
Evidente que nunca se fará uma análise de custo benefício, até porque o povão que enche a praça, bebe, pula, e nem sabe como se elaboram os contratos elevadíssimos de artistas famosos e seus cachês exagerados.
Eventos fixos que de fato promovem o turismo de negócio ( não confundir com “ negócio” no turismo,) não mereceram atenção. Semana passada, houve em Nossa Senhora da Glória a Festa do Leite.
Nas amplas instalações, ainda em fase de teste, foi exibida toda a enorme expansão em Sergipe da economia do leite, a agroindústria com todo potencial de criar riqueza. Quem chega de outros estados para eventos desse tipo, é turista com belas contas bancárias.
Em Santa Rosa do Ermírio, Poço Redondo, houve antes um evento semelhante. Aquele povoado de Poço Redondo é a segunda maior bacia leiteira do nordeste. Para fazer negócios arrematando animais de altíssima qualidade genética, começam a chegar criadores de todo o país. Mas além da divulgação intensa que deveria caber ao governo, não foi concluído o Parque de Exposições iniciado por Belivaldo.
As prefeituras sozinhas sem apoio do estado, não podem arcar com os gastos, principalmente a divulgação, que é essencial.
Já em Itaíba , Pernambuco, que produz um pouco mais do que Santa Rosa, houve, quase no mesmo período uma exposição de gado leiteiro que se iguala as maiores do gênero realizadas em Minas, Paraná, Rio Grande do Sul. O governo de Pernambuco deu apoio total, fez intensa divulgação do evento, contratou artistas famosos, e foi expressiva a movimentação financeira. A governadora esteve presente prestigiando o evento .
No começo do ano aconteceu em Itabaiana a SEALBA, um evento que mostra o potencial do agronegócio e da agricultura familiar em Sergipe, Alagoas e Bahia. Na organização, o SEBRAE, a Federação da Agricultura a Prefeitura, os empresários. Por lá não houve sequer um rastro do governo do estado.
Já que falamos em agronegócio, vale lembrar que Sergipe tem sete grandes perímetros irrigados. Foram construídos quase todos pelo governador João Alves. O Califórnia, em Canindé. O primeiro de todos ,e numa região onde quase não chove. Era também um centro de experimentos voltados para o semiárido. Está totalmente abandonado, os canais de irrigação vasando, áreas salinizadas. Nos demais, em Lagarto, Neópolis, Tobias Barreto, dois em Itabaiana e Areia Branca, a ausência do governo também é total. Mas onde há empresários capitalizados, como no Platô de Neópolis, surge um caso de sucesso. Em Canindé e Poço Redondo há o Jacaré – Curituba , o primeiro perímetro irrigado para os trabalhadores sem terra. Tornou-se possível pela persistência de Albano Franco, João Daniel e o Frei Enoque, que foram várias vezes ao Palácio do Planalto, até convencerem ao presidente Fernando Henrique Cardoso que se tratava de uma obra prioritária, inclusive para vencer preconceitos.
Mas a falta de políticas públicas para o semiárido é a maior das calamidades. Houve a promessa da Adutora do Leite, água transportada do povoado Curralinho, à beira do Velho Chico , para dar de beber às 40 mil vacas que comem bebem, muito, e dão fartura de leite em Santa Rosa. Menos de 30 Km, água sem tratamento, que fica mais barata, e teria custo zero se fosse instalada uma mini – usina solar. O senador Alessandro Vieira fez emenda de 70 milhões para a obra. O governador agradeceu , e deu outro rumo à dinheirama, Alessandro ficou convenientemente calado. Agora, foram transportados alguns tubos, e anuncia-se o início da super -adutora levando água para todo o sertão. Enquanto isso é festa e mais festa, o piseiro “ a “zoadeira “, música, cerveja, cachaça, e o povo dançando.
Mas a falta de água incomoda, tortura, maltrata, humilha.
E então surge a imagem, a voz, de Mitidieri soberbo: “ Eu sou o único governador que teve coragem para privatizar a DESO.
E por todos os povoados, nas calçadas enfileiram-se as cisternas de plástico, esperando que chegue algum caminhão -pipa da Iguá. E a Iguá, nem xite, está ocupada em aumentar tarifas, em cobrar taxas de esgotos que não existem, e fazer caixa para pagar ao Governo mais um bilhão e meio de reais, além dos três bilhões já entregues.
Este, é um retrato nada lisonjeiro para um governo que alardeia tantas realizações.
É possível que já tenham prontos alguns projetos, como a revitalização do centro de Aracaju, uma criação primorosa do arquiteto Ézio Déda, que, aliás ,já deixou o comando do Instituto Banese, única sintonia que o governo Mitidieri mantinha com a cultura.
É possível que haja projetos para o semiárido, é possível que exista alguma coisa que signifique menos gastos e mais resultados para o povo, ao contrário da imaginada ponte para a Barra dos Coqueiros, que, se chegar a existir, vai evidenciar o absurdo de duas enormes pontes correndo paralelas, uma junto da outra.
É possível que a eficiente Secretária da Fazenda Sarah Tarsila Araújo Andreozzi esteja conseguindo fazer o milagre dos pães ,a multiplicar recursos, tão dizimados na gastança que sempre teve uma urgência pré-eleitoreira.
Mas o tempo passou na janela e Mitidieri nem viu, e agora, tal e qual um Marcel Proust sem a beleza da literatura, mas, com a ansiedade de quem pula num piseiro , quer sair em busca do tempo perdido.
Já passaram os quatro anos, neles, não chegou a Sergipe nenhum investimento importante. A segunda Usina Térmica na Barra, é resultado do contrato firmado por Marcelo Déda, que previa uma segunda unidade após dez anos. E o acordo está sendo cumprido, uma obra de cinco bilhões de reais. No ato que marcou o inicio da nova usina, o governador assumiu a paternidade.
Os nossos Distritos Industriais, mais parecem um depósito de escombros.
Tudo isso se junta para desenhar um panorama administrativo de baixa eficiência, exagero de retórica ufanista, ao lado da mediocridade incrustada nas ações de penúltima hora, ou já seria a vigésima quinta hora?
É possível classificar como mediocridade, desleixo , ou desprezo pelos pobres a instalação dos caça -niqueis das bets do tigrinho nos postos do BANESE, localizados nas áreas da periferia, onde o pobre joga e perde o pouco que lhe resta , e deixa a família com fome . O governador, que agora se ampara na imagem de Lula, saberia que, se reeleito , ele está prometendo acabar com a desgraça das bets ? Fizeram de um banco de desenvolvimento, o BANESE, parceiro da devastadora jogatina. Sem o cuidado mínimo de um aviso bem visível: PROIBIDO PARA MENORES.
Uma extensa matéria publicada na Folha de S. Paulo de domingo dia 20, faz o ranking completo dos 26 estados no que se refere à capacidade de transformar recursos em resultados para a sociedade.
São classificados os estados como eficientes, alguma eficiência, pouco eficientes e ineficientes.
Sergipe ficou na desenxabida companhia daqueles pouco eficientes. Abaixo deles só os totalmente ineficientes. Assim como o Rio de Janeiro..
Um nordestino, o Ceará, ficou na segunda posição, o Piauí na quinta, a Paraíba na sexta, Pernambuco na décima primeira, o Maranhão na décima terceira, e Sergipe, logo abaixo na décima quarta.
O que espanta nessa pouca eficiência é o fato de que o atual governador encontrou Sergipe sem dividas, e com dinheiro em caixa, uma proeza conseguida por Belivaldo, e há ainda aquela soma vultosa dos bilhões da DESO e de uma outra soma enorme de empréstimos contraídos, e as emendas generosas dos parlamentares, alcançando a casa de mais alguns bilhões.
Mesmo assim, os maltratados professores, em greve por não terem conseguido ver a cor de tanto dinheiro, ainda são acusados de serem preguiçosos.
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