O último fim de semana de agosto mostrou campanhas em velocidades completamente diferentes. Fábio Mitidieri transformou sexta feira e sábado numa maratona eleitoral pelo interior. Na sexta, a carreata governista saiu do Autoposto Serrão e percorreu Gararu, Nossa Senhora de Lourdes, Canhoba, Amparo do São Francisco, Telha e Cedro de São João. No sábado, o comboio partiu de Cumbe e passou por Nossa Senhora das Dores, Siriri, Divina Pastora, Santa Rosa de Lima, Riachuelo e Laranjeiras, com Jeferson Andrade, André Moura, Rogério Carvalho e lideranças locais. No domingo, Fábio levou a campanha à Zona Norte de Aracaju, saindo da Colina do Santo Antônio, e ainda marcou presença na Parada LGBTQIAPN+ da Orla de Atalaia. Foi uma demonstração de estrutura, capilaridade e domínio do noticiário, embora os números sobre veículos e público divulgados pelas assessorias devam ser tratados como propaganda, não como pesquisa do IBGE com buzina.
Valmir de Francisquinho viveu um fim de semana completamente diferente, determinado pela saúde. Na sexta feira, ele foi submetido, em São Paulo, a um procedimento cardíaco minimamente invasivo para fechamento de um forame oval patente, pequena abertura identificada durante os exames realizados depois do Ataque Isquêmico Transitório sofrido no domingo anterior. Eduardo Amorim e Talysson de Valmir informaram que a cirurgia foi concluída com sucesso. No sábado, Valmir publicou mensagem dizendo que os procedimentos tinham dado certo e agradeceu pelas orações. No domingo, recebeu alta hospitalar, permanecendo em São Paulo sob orientação médica. Sua ausência das ruas, portanto, não decorreu de retração eleitoral, mas de uma necessidade clínica objetiva. Politicamente, a campanha procurou transformar a recuperação numa corrente de solidariedade, enquanto aguarda também o julgamento de seu registro pelo TRE sergipano.
Ricardo Marques cumpriu uma programação mais discreta e fragmentada. Na sexta feira, manteve atendimento no gabinete da Vice Prefeitura de Aracaju, realizou gravação com produtora e participou de reunião com apoiadores. No sábado, anunciou encontros em Aracaju, Barra dos Coqueiros e Laranjeiras; no domingo, a agenda previa conversas em São Cristóvão e Nossa Senhora do Socorro. Sua campanha continuou divulgando as 22 propostas prioritárias, incluindo revisão do contrato da Iguá, redução das filas da saúde, políticas para pessoas neurodivergentes, segurança e geração de empregos. Entretanto, faltou cobertura independente capaz de dimensionar público, adesões e resultados políticos desses encontros. Já Emanuel Cacho e Dr. Helton Monteiro não encaminharam agendas públicas aos veículos consultados durante os três dias. Isso não prova que tenham ficado parados, mas demonstra uma deficiência de comunicação preocupante: em campanha eleitoral, quem não conta onde esteve corre o risco de parecer que não esteve em lugar nenhum.
A situação mais delicada, porém, é a de Taty Cristina. O TRE de Sergipe indeferiu, por unanimidade, o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários do Democracia Cristã para governador e vice, no processo 0600828 34.2026.6.25.0000. A decisão não decorreu de condenação pessoal de Taty, mas da situação do diretório estadual do DC, que estava com a anotação suspensa na data da convenção porque suas contas de 2024 foram julgadas não prestadas. O partido obteve regularização posteriormente, mas o Tribunal entendeu que ela não poderia retroagir. Assim, é mais preciso dizer que o DRAP da chapa foi indeferido e que a candidatura individual de Taty ficou ameaçada, ainda sujeita a recurso, e não simplesmente afirmar que ela já foi definitivamente expulsa da eleição. O DC apresentou embargos, enquanto sua direção nacional cogita retirar a candidatura ao Governo, substituir a executiva estadual e transferir Taty para a disputa de deputada federal. Sem agenda pública durante o fim de semana e com o próprio partido discutindo outro destino para ela, a única mulher na corrida pelo Governo passou mais tempo tentando permanecer na urna do que tentando conquistar o eleitor.




