Itabaiana, terra onde a política não é esporte, é religião, Micarana e Festa do Caminhoneiro exibida em loop na feira das quartas. E no centro do novo capítulo vem ele: Fioti. O homem do povo, o filho da feira, o cidadão que vende castanha com mais dignidade que muito figurão vende promessa. Mas aí surge um comentário, dizendo que Fioti não deveria ser candidato a deputado federal, mas sim abrir uma loja de castanha. Um comentário tão pequeno que caberia dentro de uma casca de amendoim. Em vez de reconhecer a força popular de quem acorda cedo, trabalha e tem respeito nas ruas, preferiu tentar reduzir o cara à banca de feira, como se política fosse clube privado para elite de sobrenome antigo e sorriso engomado. Se política só aceitasse quem nasceu com pedigree, Sergipe ainda estaria discutindo quem ia ser o coronel da porteira, e não deputado federal. Itabaiana já teve dois deputados federais ao mesmo tempo; pode ter mais dois, três, ou quantos o povo quiser. Aqui, quem decide quem merece voto não é locutor com microfone quente, é o eleitor com mão calejada.
E vale lembrar que Itabaiana já provou, e provou bonito, que homem do povo tem vez e voz. Valmir de Francisquinho é o exemplo vivo disso. Filho de machador, cortador de carne na feira, criado no batente, ouvindo o barulho da faca batendo no osso antes mesmo do galo cantar. Valmir levantou cedo, carregou peso, sentiu o cheiro da feira, e virou líder político justamente porque sabe olhar no olho do povo e o povo reconhece quem conhece a dureza da vida. Fioti vem da mesma essência: chão batido, suor honesto, história sem maquiagem. Itabaiana sempre foi a terra onde quem tem calo na mão pode ter voto e pode ter mandato. Não tem frescura, não tem casta nobre, tem verdade. E verdade, nessa terra, vale mais que sobrenome com brasão.
E aí entra em cena Augusto Bezerra, com aquela visão política que dispensa bula e manual. Enquanto uns estavam ocupados falando e debochando, ele pesquisou, ouviu o povo, enxergou o que ninguém viu e chamou Fioti para o jogo. Não chamou o pai de Natanzinho. Chamou o cidadão Fioti, o nome que o povo falava no mercado, no açougue, no café da avenida. O mesmo povo que enxerga autenticidade a quilômetros e que não precisa de marketing para saber quando alguém é de verdade. E a verdade é simples: Fioti tem cheiro de feira, voz de povão e chão de quem não nasceu em berço de ouro. E não adianta forjar chapéu de vaqueiro e botar bota nova, tem gente aí que posa de homem do sertão, mas nasceu em berço de leite fresco, família rica, caminhando na política com asfalto emocional desde criança. O povo sente quem é da terra e quem veste personagem.
Aliás, vale lembrar: política não é concurso de genealogia, é disputa de legitimidade. E qualquer pessoa do povo pode e deve ser candidata a deputado federal. Não é porque o camarada virou fenômeno da música que o pai precisa se esconder num canto. Pelo contrário: há informações de que Natanzinho deve entrar com os dois pés na campanha. E se histórias como a de Luizão do Natrezinho existem, elas lembram a uma gente esquecida que nem só de gravata vive a democracia. Se o sistema político quer se chocar com o povão ganhando voz, que se choque, democracia não é condomínio fechado.
Fioti chega para dividir votos? Não. Chega para democratizar o poder. Para lembrar que voto não é cuscuz para sair só no prato dos mesmos de sempre. Ícaro tem seu eleitorado consolidado, ninguém tira. Já Anderson das Cargas (ou das Canas, versão sertão-gourmet) precisa entender que chapéu e discurso decorado não garantem título de homem do povo quando o outro lado tem calo na mão e história real para contar. Fioti ameaça? Ameaça, sim, não a democracia, mas a zona de conforto de quem achou que o jogo estava fechado.
No fim das contas, Itabaiana faz o que sempre fez: desafia, questiona, sacode, derruba rótulo e dá palco a quem tem história. E quem disser o contrário, que venha encarar o povo na rua porque Itabaiana não elege pela língua dos microfones, e sim pelo ouvido das feiras e pelo coração dos seus trabalhadores. Se tem uma cidade que não aceita coronel de ocasião tentando mandar no voto, é essa. Preparem-se. A eleição começou, o povo já puxou a cadeira, a castanha tá na brasa, e o palco tá armado. Quem decide se Fioti pode ou não pode é Itabaiana e não comentarista com saudade do tempo em que meia dúzia mandava e o resto obedecia. O tempo agora é outro. Quem tem o povo, tem tudo. Quem tem preconceito social, só tem microfone




