Durante o Arraiá do Povo e o Forró Caju, motoristas enfrentam cobranças abusivas e intimidações em via pública
É junho em Aracaju e, como manda a tradição, a cidade vira palco para o forró, a fogueira e, claro, a velha conhecida chantagem dos flanelinhas. Mal o carro encosta na Avenida Santos Dumont e lá está o “dono” da rua: peito estufado, valor fixado (geralmente acima dos R$ 20), e um recado velado para quem ousa recusar.
“Tem que pagar antes, viu? Cuidado na volta.” A frase pode até parecer educada, mas o tom diz tudo.
Na quarta-feira, 4 de junho, um caso explodiu nas redes e virou notícia: um flanelinha foi preso por extorsão e resistência após ameaçar um motorista que se recusou a pagar para estacionar em via pública, em plena zona sul da capital. O sujeito não só impôs o valor, como ameaçou danos ao veículo caso o pagamento não fosse imediato. A PM foi acionada e o flagra aconteceu ali mesmo, no miolo da festa.
Quem está no comando: o Estado ou o medo?
É essa a pergunta que todo aracajuano deveria se fazer. A Secretaria de Segurança Pública diz que os abusos devem ser denunciados. A Guarda Municipal afirma não tolerar essas práticas. Mas, na prática, o que se vê é um exército de guardadores informais tomando conta das ruas sem nenhum controle, transformando o direito de ir e vir em moeda de troca.
Não é de hoje que flanelinhas usam da coerção para lucrar com a insegurança urbana. O problema é que, em datas festivas como o Forró Caju e o Arraiá do Povo, o esquema se fortalece. São milhares de pessoas indo aos eventos, com poucas opções de estacionamento regulamentado, e nenhuma presença estatal para garantir que ninguém seja coagido.
A farsa da informalidade inocente
Vamos combinar: não se trata de um trabalhador pedindo uma “ajuda” espontânea. Quando há ameaça, o nome é extorsão. E o código penal é claro: constranger alguém com o intuito de obter vantagem econômica é crime, com pena prevista de dois a oito anos.
É preciso deixar de romantizar a figura do flanelinha como parte do folclore urbano. Em Aracaju, o que se vê é uma milícia disfarçada de informalidade, operando com a certeza da impunidade.
Projetos engavetados e soluções ignoradas
Existe um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que propõe tipificar como crime específico a extorsão praticada por flanelinhas. Mas você já viu parlamentar com coragem suficiente para bancar essa briga?
Enquanto isso, segue a novela: o cidadão paga por medo, não por serviço. E quem deveria proteger o povo, finge que não é com ele.
E você, já foi coagido por flanelinhas em Aracaju? Conta pra gente nos comentários e compartilha essa matéria. Denúncia e visibilidade são os primeiros passos pra virar esse jogo.
Fontes Principais:
- FANF1
- Jornal do Dia-SE
- Secretaria de Segurança Pública de Sergipe




