Em Sergipe, o gás de cozinha já deixou de ser item básico e virou artigo de luxo com status de joia rara. O reajuste anunciado no programa Gás do Povo mal mexeu no preço real e, no caso sergipano, foi quase uma piada pronta: saiu de R$ 103,88 para R$ 104,51. Um aumento tão pequeno que mal paga o susto quando o revendedor chega no portão. Enquanto isso, o botijão segue pesando no bolso e fazendo a dona de casa olhar para o fogão como quem encara um financiamento imobiliário.
Os distribuidores de gás no Estado já sentem no caixa o drama da população. A queda nas vendas varia entre 15% e 25%, chegando perto dos 30% em algumas regiões do interior. E isso não acontece porque o povo resolveu fazer dieta ou aderir ao cru gourmet. É porque simplesmente não dá para comprar. O sergipano está escolhendo entre pagar o gás ou comprar mistura para cozinhar. E cozinhar sem gás exige criatividade, paciência e às vezes até um fósforo e um pedaço de lenha.
No interior do Estado, principalmente no sertão e em municípios mais afastados, muita gente voltou ao velho e sofrido fogão a lenha. A cena que parecia lembrança de infância virou novamente rotina. A fumaça voltou para a cozinha, o improviso voltou para o almoço e o retrocesso chegou sem pedir licença. Em pleno 2026, com discurso de modernidade e desenvolvimento, ainda tem família cozinhando no quintal porque o gás virou um privilégio e não uma necessidade básica.
O problema é que o povo não vive de anúncio, vive de realidade. E a realidade em Sergipe é dura: botijão caro, salário curto e uma conta que nunca fecha. O Gás do Povo ajuda, mas não resolve quando o reajuste é simbólico e o preço continua sufocando quem mais precisa. No fim, o sergipano segue fazendo milagre doméstico, equilibrando panela, orçamento e dignidade, enquanto o gás sobe e a paciência desce. Porque quando até cozinhar feijão vira desafio econômico, o problema já deixou de ser de cozinha e virou de sobrevivência.




