O Sergipe entrou no Batistão com clima de decisão, torcida esperando festa e o Gipão querendo mostrar quem mandava no Grupo A9 da Série D. Mas futebol, esse velho dramaturgo de chuteira, resolveu escrever outro roteiro. O Treze veio de Campina Grande, fechou a casinha, esperou o momento certo e deu o bote: 1 a 0, gol de Jean Carlo aos 36 minutos do primeiro tempo. Foi aquele tipo de derrota que não grita; ela sussurra no ouvido do torcedor: “hoje não era dia”.
O Gipão até tentou. Começou melhor, pressionou, obrigou o goleiro Erivelton a trabalhar e criou chances com Zé Artur, Victor Massaia, João Lucas e Thiago Santos. Mas a bola, danada como promessa de cartola em ano de eleição, resolveu não entrar. O técnico Flávio Araújo resumiu bem a noite amarga: contra time duro, chance perdida cobra aluguel caro. E cobrou.
Com a vitória, o Treze assumiu a liderança do grupo, chegou aos 16 pontos e confirmou a classificação antecipada para o mata-mata. O Sergipe caiu para a segunda colocação, com 14 pontos, mas também já está garantido na próxima fase. Ou seja: a ferida doeu, o torcedor resmungou, o Batistão saiu cabisbaixo, mas o campeonato ainda não acabou. O Gipão perdeu a liderança, não perdeu a vida.
Agora é hora de juntar os cacos, lavar a camisa, engolir o choro com farinha e voltar a jogar bola. Porque Série D não perdoa time que fica lamentando na calçada. O Sergipe precisa transformar a derrota em combustível, deixar o drama no vestiário e entrar no mata-mata com sangue no olho. Afinal, Gipão que é Gipão pode até tropeçar em casa, mas não pode virar figurante justamente quando o campeonato começa a pegar fogo.




