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Independência sem Independência: o esvaziamento do 7 de Setembro e o desgaste da esquerda

Este ano, o desfile cívico-militar de 7 de Setembro em Brasília virou sinônimo de cena vazia, uma Esplanada que mais parece auditório mal ocupado: de acordo com o Poder360, cerca de 20 mil pessoas estiveram presentes, contra 100 mil em 2022, no auge do governo Bolsonaro. Imagens aéreas escondem-se atrás da retórica oficial, mas o recado é claro: a tradição que já foi caixa de ressonância da direita agora ecoa apenas em ecos.

A imprensa registra um contraste inescapável: salas reservadas para convidados, servidores e militares, com o gramado vazio, um desfile com rosto de evento protocolar, não de mobilização popular. Quanto ao tráfego nas redes, o encolhimento foi ainda mais crasso. Enquanto a esquerda tenta resgatar o patriotismo com campanhas visuais e slogans, seus atos se desfazem diante do alcance massivo que o bolsonarismo segue conquistando.

E em Sergipe, não foi diferente. O 7 de Setembro também expôs o desânimo: era visível a falta de vibração das forças militares e até mesmo da Polícia Militar, que pareciam cumprir tabela em vez de celebrar a Independência. O silêncio dos desfiles regionais reforça que não é apenas Brasília que esvazia; o desgaste atravessa estados, ecoando a mesma apatia.

Simultaneamente, manifestações pró-Bolsonaro, em nome de “anistia”, “liberdade” e “justiça”, ganham as ruas com força. No Rio, em São Paulo, em Brasília: milhões de pessoas vão às frentes, especialmente contra o STF e o governo Lula, impulsionadas por movimentos como o “Reaja Brasil”, capitaneado por figuras como Silas Malafaia. A pauta é clara: anistia ampla, impeachment de ministros, impeachment de Lula; é a oposição que mantém o protagonismo nas ruas e no imaginário.

O cenário não é apenas simbólico: é um termômetro do prestígio em declínio de Lula. O Estado perde terreno, não apenas nos discursos, mas na arena visceral e simbólica. A esquerda, que festejava o verde, o amarelo e o grito por justiça, hoje parece reagir às pressões, sem conseguir criar narrativa capaz de incendiar as massas.

Não se trata de comparar atos, mas de constatar deserto onde havia multidão. O 7 de Setembro era território neutro; virou território hostil à esquerda. E mais: enquanto Lula passa em carro aberto entre arquibancadas preenchidas por convidados, quem domina as ruas são cartazes vindos da rua, da insatisfação, da agressividade da base bolsonarista. 

Esse esvaziamento não pode ser ignorado: sinaliza que a esquerda falha em reter o simbolismo do patriotismo e o vínculo com o povo. O verde e amarelo, capilarizados pelos representantes da direita, revelam algo mais profundo que a condição do governo Lula, sobrecarregado por narrativas dominantes de crise econômica e polarização, está cada vez mais enraizada nos corredores do poder e cada vez mais esvaziada nas ruas.

Em suma: o desfile de Independência virou célebre por sua ausência de público. O que deveria ser demonstração de unidade nacional virou microfone mudo para o governo. Enquanto isso, o bolsonarismo segue firme no grito das ruas e com massa. A esquerda perdeu a bandeira, a narrativa e, acima de tudo, o cheiro de povo multicolorido na arquibancada. O vermelho da soberania desbotou; o verde e amarelo continuam mais vivos do que nunca.

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