Quando Israel resolveu tirar os caças da garagem e mirar direto no coração do Irã, não foi só o Oriente Médio que tremeu — foi o mundo inteiro que travou a respiração. Na madrugada de 13 de junho, Tel Aviv colocou em prática a “Operação Rising Lion”, um ataque militar coordenado que atingiu mais de 100 alvos estratégicos em solo iraniano. O objetivo? Neutralizar, segundo eles, o programa nuclear de Teerã. O efeito colateral? Escancarar a porta de um novo conflito de proporções imprevisíveis.
O dia em que o Irã acordou com 200 caças sobrevoando
A ofensiva israelense não foi discreta. Combinou drones, sabotagens da Mossad e uma chuva de bombas guiadas por satélite. Instalou o caos em locais como Natanz, Fordow, Esfahan e Arak — justamente os bastiões do programa nuclear iraniano.
Não ficou por isso. Residências de generais da Guarda Revolucionária também entraram na lista de alvos, numa jogada que beira a humilhação estratégica. Entre os nomes citados, estavam pesos-pesados como Hossein Salami e o cientista Fereidoun Abbasi. O recado era direto: ninguém está a salvo, nem mesmo em casa.
Irã responde: mísseis e vingança

Mas o Irã, que não costuma levar desaforo sem míssil de volta, revidou no mesmo dia. A “Operação Promessa Verdadeira III” despejou mais de 150 mísseis balísticos e 100 drones sobre cidades israelenses. Alguns foram interceptados. Outros, não. Resultado: mortos civis em Rishon LeZion e dezenas de feridos em Tel Aviv.
As Forças de Defesa de Israel até celebraram o desempenho da sua “Cúpula de Ferro”, mas a verdade é que parte dos projéteis passou. E quando isso acontece, a retórica vira fumaça.
Guerra de nervos (e petróleo)
Enquanto os mísseis trocavam CEPs entre Teerã e Tel Aviv, o mundo assistia de camarote — com os nervos e o petróleo em frangalhos. O barril do Brent subiu mais de 12%. Bolsas oscilaram como nunca. E diplomatas correram para desmentir a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial.
Spoiler: não é disso que se trata. Não ainda. Mas a normalidade — aquela mesma que já estava em crise — ganhou um novo abismo para administrar. A retórica da contenção falhou, o JCPOA (acordo nuclear de 2015) morreu sem velório, e o tabuleiro geopolítico foi derrubado no chão.
O jogo virou direto. E o perigo também.
O que antes era uma guerra por procuração, com Israel e Irã usando terceiros para bater de longe, virou conflito direto. A escalada é inédita. E o risco, real. O Hezbollah no Líbano já afiou a retórica. Os Houthis no Iêmen seguem provocando. E Washington, com eleições se aproximando, caminha na corda bamba entre apoio irrestrito e medo do efeito dominó.
Resta saber: qual será o próximo passo? E, mais importante: quem vai pisar no freio antes que tudo exploda de vez?




