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Kaynara precisa voltar e explicar os contratos

A Operação Pecúnia entrou na Prefeitura de Aracaju investigando contratos públicos, cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e colocou sob análise um contrato de R$ 1,73 milhão com uma empresa ligada a Tainara Maia. O caso ganhou peso após a apreensão de R$ 240 mil em espécie com um gestor municipal. Apesar do barulho, até agora não foi apresentada publicamente nenhuma prova de participação direta da prefeita Emília Corrêa nas possíveis irregularidades. Investigação não é condenação, muito menos autorização para escolher culpado por conveniência eleitoral.

Emília não se escondeu. Disse que não teme investigação, abriu as portas da Prefeitura e afirmou que cada responsável deverá responder pelos próprios atos. Está correta. A administração possui secretários, fiscais, ordenadores de despesas, controladores e procuradores. A prefeita não pode ser transformada em fiscal de nota fiscal, conferente de contrato e detectora de dinheiro vivo ao mesmo tempo. Cabe à polícia descobrir quem autorizou, quem executou, quem fiscalizou e por onde passaram os valores.

Enquanto Emília enfrenta o problema em Aracaju, Kaynara Maia permanece nos Estados Unidos há mais de um mês. A temporada já está tão longa que, a essa altura, até Mickey e Pateta devem estar perguntando: “Minha filha, você não vai voltar para explicar esse contrato?”. É preciso dizer com clareza que não existe prova pública de fuga nem ordem judicial obrigando seu retorno. Mas existe uma ausência comprida demais e um silêncio que produz mais dúvidas do que respostas. A Disney pode ser o lugar onde os sonhos se realizam, mas explicação sobre dinheiro público não aparece com passe de mágica.

Volta, Kaynara! Volta para Sergipe, apresenta contratos, notas fiscais, comprovantes dos serviços e movimentações financeiras. Emília não pode carregar sozinha uma mala política que nem sequer arrumou. André David também não deve ser responsabilizado automaticamente pelos negócios da cunhada, mas acaba recebendo perguntas que caberia a ela responder. Enquanto Kaynara tira fotografia nos Estados Unidos, a investigação posa para foto em Aracaju. Já passou da hora de trocar o passeio pelas explicações. Até o Pateta sabe: quando o dinheiro é público, transparência não pode tirar férias.

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