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Lagarto: cidade em crise, mas com salgadinhos de ouro

Enquanto a população de Lagarto tropeça nos buracos das ruas, enfrenta filas intermináveis nos postos de saúde e vê escolas sem estrutura para formar seus jovens, o prefeito Sérgio Reis parece ter encontrado a prioridade máxima da sua gestão: salgadinhos. Sim, salgadinhos. O Pregão Eletrônico nº 16/2025 previa nada menos que R$ 9,3 milhões para lanches e buffets destinados às secretarias municipais. Um valor tão absurdo que faz qualquer cidadão se engasgar antes mesmo de dar a primeira mordida.

Só para se ter uma ideia, em qualquer lanchonete de esquina um salgado custa, em média, R$ 2,50. Com os R$ 9,3 milhões da licitação, daria para comprar 3,7 milhões de salgadinhos. Isso significa que cada habitante de Lagarto, cerca de 105 mil pessoas, poderia comer 35 salgadinhos cada. Uma verdadeira farra gastronômica às custas do contribuinte.

Entre os itens previstos no edital, algumas pérolas chamam atenção: 6.930 pamonhas ao custo de R$ 45,5 mil e mais de 332 mil canudinhos de frango, avaliados em R$ 445,1 mil. Metade de milhão de reais só em quitutes de festa. Tudo isso enquanto famílias precisam viajar para outras cidades em busca de atendimento médico digno.

A deputada Áurea Ribeiro não deixou barato: criticou duramente a iniciativa e lembrou que a sociedade lagartense está de olho. E não é para menos, a licitação já entrou para a galeria das trapalhadas administrativas da cidade.

E aqui a ironia ganha tons musicais: o prefeito Sérgio Reis até compartilha o nome com o cantor famoso que imortalizou a música “Panela Velha é que faz comida boa”. Mas, pelo visto, em Lagarto a lógica foi distorcida. Não se trata de panela velha ou panela nova: a gestão parece querer mesmo é panela cheia… de salgadinhos pagos com dinheiro público.

Se tivesse o mesmo empenho em tapar buracos e melhorar escolas que tem em garantir canudinho de frango para eventos oficiais, Lagarto já seria referência em desenvolvimento. Mas preferiu se lançar no que já ficou conhecido como o projeto “Lagarto, Capital Nacional do Salgadinho”.

O problema é que a realidade é outra: ruas esburacadas, saúde sucateada, desemprego alto e uma juventude sem perspectivas. A cidade está, como dizem os moradores, “entregue às baratas” e, pelo visto, as baratas ainda vão comer melhor do que muita gente.

Depois da repercussão negativa, o prefeito cancelou o certame. Mas fica a lição: se a população não denuncia, a farra do dinheiro público corre solta. O caso dos salgadinhos é só mais um retrato de como os gestores precisam ter mais responsabilidade com cada centavo dos cofres municipais. Porque, sejamos francos: Lagarto não precisa de pamonha de luxo, precisa de hospital que funcione, escola que ensine e ruas onde se possa andar sem cair num buraco.

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