Todo ano é a mesma coisa: chega maio, todo mundo veste amarelo, distribui panfleto e prega paz no trânsito. Mas basta virar a esquina de Aracaju pra ver motoqueiro sem capacete, carro costurando no trânsito e pedestre atravessando fora da faixa. A pergunta é: até quando a gente vai fingir que isso é só um “acidente”?
Pois bem. Em 2025, o Maio Amarelo em Sergipe chegou com o tema: “Desacelere: seu bem maior é a vida”. Forte, né? Mas será que pega?
O mês da hipocrisia no volante?
A abertura oficial foi no dia 5 de maio, com pompa e discursos do Detran/SE, Polícia Rodoviária Federal e demais autoridades do estado. Até aí, tudo certo. Mas o cenário que justifica a campanha é pesado: só no primeiro trimestre do ano, o HUSE (Hospital de Urgências de Sergipe) registrou um aumento de 2,62% nos atendimentos a vítimas de acidentes com motocicletas. Adivinha quem lidera? Homens jovens, entre 18 e 35 anos. Sim, os mesmos que passam o dia ralando de delivery pra entregar lanche em tempo recorde — até virarem estatística.
Todo mundo sabe, mas ninguém aplica
A PRF/SE intensificou ações educativas. Fez palestra, cinema rodoviário e até “abordagem educativa” nas estradas. O DER/SE também entrou na dança, levando panfletos e boas intenções pro Terminal Rodoviário José Rollemberg Leite. Já a SMTT de Aracaju apostou em ações de rua, junto com a Iguá Sergipe, tentando convencer o motorista apressado de que vale mais chegar inteiro do que rápido.
Legal, bonito. Mas aí vem a pergunta incômoda: adianta?
Desacelerar virou resistência
O trânsito em Sergipe é mais do que caos — é reflexo de uma sociedade que normalizou o absurdo. Aceitamos como rotina ver jovens sem capacete, carros ignorando sinal vermelho e gente achando que dirigir é direito divino, não responsabilidade pública.
Desacelerar, no fundo, virou ato de resistência. É remar contra um sistema que empurra a pressa como virtude. E é por isso que o Maio Amarelo não pode ser só uma campanha: tem que ser tapa na cara. Um lembrete de que a próxima vítima pode ser a gente — ou alguém que a gente ama.
Vai continuar passando pano?
Até quando vamos nos contentar com faixas amarelas e frases feitas? Cadê fiscalização de verdade? Cadê investimento sério em educação no trânsito nas escolas? Cadê punição efetiva pra quem transforma o asfalto num campo de batalha?
Enquanto o Maio Amarelo for só evento de calendário, o trânsito seguirá matando mais do que muita doença. E a gente seguirá chorando em velório de tragédia anunciada.
E aí, vai continuar acelerando como se fosse imortal? Comenta aqui embaixo o que você já viu de absurdo no trânsito sergipano — ou compartilha essa matéria com aquele amigo que ainda acha que é piloto de Fórmula 1.
Fontes principais:
- Governo de Sergipe
- Detran/SE
- PRF/SE
- Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE)
- DER/SE
- SMTT Aracaju




