Durante oito anos, os irmãos Humberto e Pato Maravilha foram os titãs de Umbaúba, régios, articulados, quase imbatíveis. O raio de poder deles cintilava alto no sul sergipano. Mas toda maratona tem seus quilómetros finais e, como dizem na política, “aquele que se acostuma com o trono esquece o peso da coroa”.
O primeiro golpe veio nas urnas de 2024, com a derrota da “família Maravilha” para a nova estrela da cidade: Juliana do Mamão. De repente, o que era base de sustentação virou ponte para o outro lado. Aliados históricos migraram para o campo dela, abrindo caminho para a liderança emergir. Um sinal claro: o poder não está apenas em permanecer, mas em atrair quem antes era fiel à antiga ordem.
E Juliana não é só prefeita: virou ponto de referência, símbolo de renovação, agora é chamada de “Mulher Maravilha de Umbaúba”. Nome sugestivo, cheio de charme e força. Tem tudo a ver: capa (metaforicamente), símbolo de justiça política, mobilidade e proteção. Só que sem precisar voar, porque o chão que ela pisa já é dela. Ela mostra que é possível conciliar poder de articulação com proximidade com o povo.
Os irmãos Maravilha ainda se mexem. Conseguiram eleger o vereador Maurício Maravilha em Aracaju, tentando manter o legado. Mas a maré virou. Internamente, surgem rachaduras. E o próprio Pato Maravilha, deputado estadual, já sente as correntes políticas se afrouxarem. Quando gente influente como Izabella Fernandes anuncia que não apoiará sua reeleição, o aviso é claro: o castelo tem rachadura.
Nos bastidores, já se fala no “fim da era Maravilha” em Umbaúba. E não é só boato de boteco: analistas dizem que o brilho tornou-se opaco, que o magnetismo dos irmãos perdeu parte da força. A liderança agora migra para Juliana, com apoio popular e articulação afinada.
O império já não é mais apenas deles. A coroa range, pede afinação urgente, e o público exige espetáculo, mas sem fraude, sem mágica barata. Os Maravilhas precisam abrir os olhos, ou correm o risco de ficarem sem “maravilha nenhuma” em Umbaúba. E que fique bem claro: todo encantamento político tem prazo de validade. Quando a mágica acaba, o eleitor exige novidade. Pois é exatamente isso que parece estar surgindo em Umbaúba.




