Marcelo Sobral chega à reeleição com pinta de deputado jovem, articulado e rodado, mas também carregando mais casca de banana do que feira de interior em fim de sábado. Ele foi eleito em 2022 com 22.159 votos, virou nome forte na Alese, ocupa espaço na Mesa Diretora e tem produção legislativa numerosa. Papel, projeto e indicação ele tem. O problema é saber quantos desses papéis saíram do Diário Oficial e chegaram na porta do povo. Porque protocolo é bonito, mas não tapa buraco, não consulta paciente e não bota água na torneira.
O deputado também criou o estilo “Marcelo por Sergipe”, rodando município, ouvindo demanda, fazendo foto, apertando mão e distribuindo aquele sorriso de quem parece estar sempre inaugurando uma promessa. É a política versão turismo legislativo: passa, grava, posta, agradece a Deus e segue para o próximo destino. Tem presença? Tem. Tem agenda? Tem. Mas o eleitor quer saber se a van do mandato voltou cheia de solução ou só de story para Instagram.
O bicho pega mesmo em Itaporanga. O prefeito Ivan Sobral já admitiu fissura no agrupamento, embora diga que apoia Marcelo em 2026. É aquela união política sergipana clássica: todo mundo jura amor no microfone, mas nos bastidores a faca já está cortando até bolo imaginário. Ainda tem Preá (Fernandinho Franco) rondando pela beirada, Gracinha Garcez fazendo oposição e a política local virando um campeonato de queda de braço, fofoca e calculadora.
E Marcelo, quando entra no confronto, não vai de chinelo. Vai de coturno. A briga com Gracinha passou do ponto, rendeu acusação de misoginia e reacendeu guerra antiga em Itaporanga. O deputado pode até achar que está fazendo oposição dura, mas precisa tomar cuidado para não transformar mandato em programa policial de rádio AM. Uma coisa é fiscalizar. Outra é entrar no plenário como quem chegou atrasado no barraco e quer sentar na primeira fila.
Marcelo é competitivo, tem voto, grupo, estrutura e presença regional. Mas precisa provar que não é só deputado de agenda cheia, discurso afiado e guerra municipal no porta-malas. Porque em Sergipe o povo ri, acompanha a confusão, compartilha o corte e depois pergunta com a frieza de quem acordou cedo para trabalhar: “Deputado, o senhor trouxe resultado ou só rodou o Estado fazendo pose de gerente de campanha de si mesmo?”




