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Marcha da Maconha: fumaça no ar, tese no chão

Aracaju teve, sábado passado, dias 14, sua própria experiência sociológica ao ar livre. Um mini trio elétrico, cerca de 50 pessoas, reggae em volume moralmente elevado e uma certeza inabalável de que a história mudaria a partir da orla. Mudaria sim. Principalmente a do trânsito.

A marcha da Maconha desfilou como quem confunde protesto com micareta conceitual. Na frente, um carro organizador. Atrás, a polícia. No meio, a rebeldia escoltada, dançando e vibrando enquanto motoristas, pedestres e famílias tentavam entender por que um sábado comum precisava ser interrompido por uma rave ideológica de baixa quilometragem.

O roteiro é conhecido. Começa pedindo a legalização da maconha, passa pela violência policial, faz escala na criminalização do funk, abraça o rap, convoca o MST e termina explicando que tudo está interligado. A planta virou tese. A tese virou festa. A festa virou direito adquirido de travar avenida alheia.

Em São Paulo, a Paulista ficou verde. Em Aracaju, a paciência ficou vermelha. Criança passando, fumaça subindo, doce “alternativo” circulando e a convicção de que aquilo tudo é educação política. Se alguém ousar discordar, é preconceito estrutural. Debate encerrado.

O argumento medicinal, sério e necessário, entra como figurante nobre num espetáculo que prefere o batuque ao dado, o slogan ao estudo e o trio elétrico à política pública. A causa perde quando vira carnaval permanente, porque ninguém leva a sério uma pauta que precisa de escolta policial para acontecer e ainda chama isso de resistência.

No fim, sobra a imagem perfeita do Brasil contemporâneo. Um protesto contra a criminalização, protegido pelo Estado, atrapalhando a vida de quem não pediu para participar da revolução. A maconha até promete relaxamento. O discurso, do jeito que foi apresentado, só causa congestionamento.

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