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Marina Silva no Senado: quando o machismo disfarçado vira regra no Congresso

A cena é clássica: uma mulher com voz firme enfrenta um plenário recheado de senadores — homens, brancos, engravatados, muitos com aquele tom professoral de quem se acha dono da verdade. Só que dessa vez não era qualquer mulher. Era Marina Silva no Senado, e a casa quase veio abaixo.

Durante audiência sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial, a ministra do Meio Ambiente tentou apresentar dados técnicos, argumentos ambientais e riscos reais. Mas não deu nem tempo de respirar. Foi interrompida, deslegitimada e, claro, alfinetada com aquele jeitinho cordial de quem acha que educação é licença para agressividade velada.

O ápice da bizarrice veio quando o líder do PSDB disparou: “A mulher Marina merece respeito, a ministra não.” Ah, sim. Porque, na cabeça de certos senadores, o cargo anula o direito ao respeito. Um raciocínio torto, mas bem revelador da mentalidade que impera ali.


Um Senado que ainda não aprendeu a ouvir

O caso expôs mais uma vez o que todo mundo já sabe, mas pouca gente encara de frente: o Congresso brasileiro continua sendo uma máquina de silenciamento — principalmente de vozes femininas, negras e dissonantes.

Marina, com sua trajetória marcada pela resistência, não é novata em embates. Mas há algo de podre quando até ela, com décadas de vida pública, ainda precisa ouvir comentários que reduzem sua autoridade a um adjetivo de gênero. E quando ela se retirou da sessão, acusando a bancada de desrespeito, a resposta foi risível: disseram que ela “fugiu do debate”.

Não, senhores. Fugir é interromper. É distorcer argumento. É falar por cima. Fugir é achar que desrespeito é retórica.


A nova velha política

É irônico — e desesperador — perceber que a “nova política” só tem cara nova, porque o modus operandi continua mofado. Quem assiste à sessão vê uma espécie de teatro de cinismo, onde até a pauta ambiental, urgente e técnica, vira palanque para disputa ideológica barata.

Marina Silva no Senado vira então o símbolo de dois problemas profundos: o desdém pela pauta ambiental e o machismo institucionalizado. A dobradinha perfeita para quem torce pela política do atraso.


E agora?

A ministra prometeu responder por escrito às perguntas que não conseguiu concluir. Um gesto civilizado, que contrasta com o circo que tentaram montar em cima dela. Mas a pergunta que fica é: até quando vamos assistir passivamente a esse tipo de espetáculo?

Aliás, você aí — que acompanha o debate político — já reparou como a gritaria aumenta sempre que uma mulher tenta colocar ordem na bagunça?

Talvez não seja só sobre petróleo. Talvez seja sobre poder. E, mais ainda, sobre quem pode exercê-lo em voz alta.


Você acha que Marina Silva foi desrespeitada ou que a reação dela foi exagerada? O Portal Fausto Leite quer ouvir sua opinião. Comenta aqui e compartilha com quem precisa ver essa cena de novo — e de novo — até entender o que está em jogo.


Fontes Principais:

Estadão, G1, Agência Brasil, Congresso em Foco

Respostas de 3

  1. Marina foi desrespeitada, a natureza ignorada e o planeta Terra violado. O senado não merece como representantes esses senadores. Fora já!

  2. Sim
    Houve um claro desrespeito. Além do machismo, da misoginia, há uma pressão sobre Marina por defender com clareza, argumentação sólida, dados cientificos, a pauta do meio ambiente. Os representantes do atraso, não desejam uma política ambientalista progressista.
    Um país que não conseguiu promover a reforma agrária, que não removeu as marcas da escravidão, não apagou da a terrível experiência da colonização, produziu essa classe opressora e subserviente, que não consegue abraçar e desenvolver um projeto de nação!
    Lula e seus ministros deveriam se manifestar, acolher Marina e enquadrar essa corja de covardes!

  3. Eu vi pela televisão e fiquei pasma, primeiro pela cobertura da Globo, depois pela falta de respeito de vários homens barbudos sem respeito pro uma Senadora.
    Estamos a mecê desses homens que não deveriam estar onde estão.

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