O MDB de Sergipe homologou nove candidatos a deputado federal, mas a matemática eleitoral não costuma se emocionar com ata de convenção. Jailson Farias dos Santos, Ayslan Jorge Santos de Araújo, Jaison Francisco do Nascimento, Silvaneyde Ribeiro de Souza, Maria Mabel de Luna Melo, Piscila Cruz dos Santos, Tatiane Chaves, Eliana da Sopa e João Sebastião da Silva formam uma chapa completa no papel e quase invisível na urna. Sergipe elege oito deputados federais. Em 2022, foram aproximadamente 1,19 milhão de votos válidos para o cargo, o que colocou o quociente eleitoral perto de 149 mil votos. Mesmo adotando a régua generosa de 100 mil votos, usada apenas como piso político de competitividade, a conta do MDB continua parecendo passagem bíblica. É mais fácil multiplicar os pães do que os votos dessa nominata.
Pituxo é o mais experiente da turma. Já disputou várias eleições, conhece a urna, o santinho e provavelmente até o mesário, mas nunca se consolidou como candidato de votação média. Ayslan é professor e foi vice de Delegada Danielle na eleição de Aracaju em 2024. Convém fechar a porta antes que alguém tente colocar na mochila dele os 16.769 votos daquela eleição. Os votos foram dados à chapa majoritária liderada por Danielle. Não constituem votação nominal de Ayslan e não podem ser transferidos para 2026 como quem transfere saldo bancário. Jaison Francisco não apresenta histórico eleitoral público relevante. Silvaneyde, provavelmente Sil Ribeiro, possui experiência municipal modesta. Maria Mabel aparece como uma novidade sem patrimônio eleitoral comprovado. Há perfis pessoais. Falta perfil de puxador.
Piscila, ou Priscila, Cruz dos Santos começa a campanha enfrentando uma disputa anterior à urna, a disputa pela grafia correta do próprio nome. Tatiane Chaves também não apresenta, até aqui, uma trajetória eleitoral capaz de sustentar projeção relevante. Eliana da Sopa é conhecida em Nossa Senhora do Socorro e já disputou eleições para prefeita, vereadora e deputada federal, mas sua votação para a Câmara em 2022 ficou em 2.038 votos. João Sebastião da Silva, conhecido como China da Borracharia, é outro veterano das candidaturas populares, mas recebeu 612 votos para deputado federal em 2022. São nomes legítimos, com direito de disputar. O problema é vender grupo de apoio como esquadrão eleitoral. Um time pode entrar em campo com onze jogadores. Isso não significa que tenha ataque.
O núcleo da chapa que possui votação federal recente e mensurável é formado por Pituxo, Eliana da Sopa e China da Borracharia. Juntos, eles tiveram 4.772 votos em 2022. Mesmo na conta eleitoral mais generosa do planeta, atribuindo indevidamente a Ayslan todos os 16.769 votos recebidos pela chapa de Danielle em 2024, o grupo conhecido chegaria a pouco mais de 21 mil votos. Ainda faltariam quase 79 mil para alcançar a linha política de 100 mil e mais de 127 mil para repetir o quociente completo de 2022. Não é uma distância. É uma mudança de fuso horário. Para vencer esse abismo, cada candidato desconhecido precisaria acordar no dia da eleição transformado em prefeito de município grande, líder religioso nacional e celebridade digital ao mesmo tempo.
A conclusão, à luz dos dados disponíveis, é firme. A chance de essa chapa eleger um deputado federal é tão remota que, politicamente, equivale a nenhuma. O MDB montou uma nominata para ocupar espaço, oferecer palanque à campanha majoritária, aparecer na propaganda e poder dizer que participa da disputa pela Câmara. É uma chapa para inglês ver, brasileiro fotografar e dirigente partidário apresentar no PowerPoint. Para virar chapa competitiva, precisaria descobrir mais de 100 mil votos escondidos em alguma gaveta do Iate Clube. Convenção homologa nomes. Não fabrica eleitor. O MDB colocou nove candidatos na fotografia, mas esqueceu de colocar votos no enquadramento. A Câmara dos Deputados, por enquanto, continuará vendo essa chapa apenas de longe.




