Sergipe amanheceu menor, mais triste e estranhamente silencioso com a partida do Pastor Antônio dos Santos. Para muitos, morreu um ex-vereador, um ex-deputado estadual e uma das grandes lideranças evangélicas do nosso Estado. Para mim, partiu alguém muito mais próximo. Perdi um grande amigo, um homem por quem sempre tive respeito, carinho e profunda admiração. Conviver com Pastor Antônio era compreender que algumas pessoas não precisam anunciar a própria bondade, porque carregam no olhar aquilo que outras passam a vida tentando demonstrar em discursos. Ele tinha uma serenidade que acalmava, uma palavra que confortava e um abraço que parecia dizer, mesmo sem voz, que nenhuma dor precisava ser enfrentada sozinha.
Pastor Antônio possuía uma grandeza cada vez mais rara. Sabia ouvir. E quem sabe ouvir verdadeiramente já oferece ao outro uma forma de amor. Ele recebia com a mesma atenção o homem poderoso e a pessoa simples que chegava à igreja carregando apenas uma aflição e um pedido de oração. Não perguntava primeiro de que partido alguém era, quanto possuía ou qual sobrenome carregava. Enxergava a pessoa antes da posição, a dor antes da conveniência e a alma antes da aparência. Em um tempo no qual tantos levantam a voz para parecer fortes, ele conquistava respeito falando baixo. Sua autoridade não nascia do medo, mas da confiança. Não vinha do cargo, mas do caráter.
Sua história começou no púlpito e alcançou a política sem abandonar a missão de servir. Como pastor da Assembleia de Deus Missão, percorreu igrejas, participou de cultos, cruzadas, conferências e encontros, levando a Bíblia, defendendo a família e anunciando a fé cristã. Na vida pública, foi vereador de Aracaju e exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual, deixando aproximadamente 16 anos de trabalho na Assembleia Legislativa e mais de 1.500 proposições apresentadas. Defendeu o tratamento do câncer, cobrou mais segurança nas rodovias, lutou pela reabertura do Hospital da Polícia Militar e abriu espaço para as igrejas, as famílias pobres e as comunidades esquecidas do interior. A Lei estadual nº 7.591, de 2013, voltada à proteção do nascituro, traduz uma das convicções que sustentou até o fim. Para ele, a política nunca deveria ser um altar para o ego, mas um instrumento de serviço ao próximo.
Pastor Antônio também atravessou grandes disputas eleitorais sem permitir que a dureza da política endurecesse o seu coração. Em 1996, disputou a Vice Prefeitura de Aracaju ao lado de Garibalde Mendonça. Em 2016, integrou a chapa de Valadares Filho, chegou ao segundo turno e ajudou a alcançar mais de 134 mil votos. Tentou chegar à Câmara dos Deputados e não conseguiu, mas jamais deixou que o resultado das urnas definisse o tamanho de sua missão. Com mandato ou sem mandato, continuou visitando igrejas, aconselhando famílias, conversando com lideranças e oferecendo esperança. As campanhas acabavam, os palanques eram desmontados e os votos viravam números nos arquivos eleitorais. Pastor Antônio, porém, continuava sendo pastor. Em 2025, ao retornar à Câmara de Aracaju para defender a vida desde a concepção, mostrou que suas bandeiras não eram fantasias usadas em época de eleição. Eram convicções carregadas por toda uma vida.

As homenagens de Fábio Mitidieri, Valmir de Francisquinho, André Moura, bispos, pastores, obreiros, amigos e irmãos de fé revelam uma verdade que nenhuma eleição consegue medir. Ao falar sobre o falecimento, Valmir de Francisquinho definiu com emoção a trajetória daquele amigo: “Pastor Antônio dos Santos foi um homem que fez da fé um caminho, da política uma missão e do amor ao próximo o maior legado de sua vida.” Pastor Antônio atravessou fronteiras partidárias porque construiu pontes humanas. Alguns estiveram ao seu lado, outros ocuparam campos políticos diferentes, mas todos reconheceram sua serenidade, sua capacidade de dialogar e seu espírito pacificador.
Eu guardarei para sempre a lembrança do amigo tranquilo, do conselheiro generoso e do pastor que sabia se aproximar das pessoas sem invadir suas dores. Hoje, sua cadeira fica vazia, sua voz deixa saudade e seu abraço passa a morar apenas na memória. Mas um homem que dedicou a vida a plantar fé nunca parte por inteiro. Pastor Antônio continuará vivendo em cada oração que ensinou, em cada mão que segurou, em cada família que consolou e em cada coração que ajudou a reconstruir. Sergipe perdeu um grande político, mas, acima de tudo, perdeu um grande homem. E eu perdi um amigo que jamais esquecerei.




