Os sergipanos acordaram olhando para o site do Tribunal de Justiça de Sergipe e quase pediram uma certidão de inteiro teor da bandeira do Estado. Em pleno período de celebração dos 206 anos da Emancipação Política de Sergipe, o TJ publicou uma homenagem bonita na intenção, mas com uma pequena tragédia visual no caminho: a bandeira sergipana apareceu com apenas uma estrela. Apenas uma. As outras quatro, aparentemente, entraram em segredo de Justiça, foram para audiência de conciliação ou receberam alguma cautelar de afastamento do campo azul.
A redação recebeu ligações de leitores impressionados, daqueles que ainda conhecem a bandeira do próprio Estado sem precisar consultar o Google, o Diário da Justiça ou o plantão judiciário. Muitos queriam saber se a gente também tinha observado a gafe. Fomos conferir e, de fato, lá estava ela: a bandeira de Sergipe, símbolo oficial do Estado, representada como se tivesse passado por uma reforma administrativa severa. Tiraram quatro estrelas e deixaram uma sobrevivente, provavelmente aguardando julgamento de mérito.
O episódio virou motivo de conversa entre estudiosos, professores de história, curiosos da sergipanidade e membros atentos da Academia Sergipana de Letras e da Academia Itabaianense de Letras. Teve gente procurando no próprio site do Tribunal se havia alguma liminar suspendendo as demais estrelas. Outros imaginaram uma decisão monocrática determinando o recolhimento imediato de quatro corpos celestes da bandeira estadual. E ainda houve quem suspeitasse de uma tutela de urgência deferida nos autos invisíveis da ação “Estado de Sergipe versus excesso de estrelas”.
A brincadeira é boa, mas o assunto merece cuidado. O Poder Judiciário, justamente por sua autoridade institucional, precisa ter atenção redobrada quando usa símbolos oficiais. Bandeira não é enfeite de aniversário, não é figurinha decorativa e muito menos peça livre para interpretação artística sem limite. A bandeira de Sergipe tem cinco estrelas, ligadas à nossa história, aos nossos rios, às nossas barras e à identidade geográfica do Estado. Reduzir tudo a uma estrela só é como contar a história sergipana faltando quatro capítulos, três notas de rodapé e o mapa inteiro.
Por isso, com todo respeito ao Tribunal de Justiça, a correção deve ser feita o quanto antes. A homenagem ao 8 de Julho é justa, necessária e bonita, mas Sergipe não pode comemorar sua emancipação com a própria bandeira mutilada em praça digital. Que se restaurem imediatamente as quatro estrelas desaparecidas, sem necessidade de agravo, embargo ou mandado de segurança. Porque, convenhamos, nos 206 anos da emancipação política, o mínimo que Sergipe merece é aparecer inteiro: com sua história, sua memória, seu orgulho e, claro, suas cinco estrelas brilhando no lugar certo.




