Atenção, pais de garotos sergipanos: preparem o coração e principalmente o bolso, porque o novo álbum da Copa do Mundo de 2026 chegou e, junto com ele, voltou aquele velho desespero nacional chamado “painho, só mais um pacotinho”. Se em 2022 já teve pai escondendo cartão, mãe fugindo da banca e avó patrocinando figurinha rara, agora a situação ficou ainda mais séria. O álbum simples custa R$ 24,90, cada pacote com sete figurinhas sai por R$ 7 e completar tudo pode custar mais de R$ 7 mil, dependendo da sorte e da insistência.
Na última Copa, Sergipe viveu aquele surto coletivo bonito de sempre. Praça cheia, shopping lotado, grupos de WhatsApp só com mensagem de “tenho repetida, alguém troca?”, pais virando especialistas em escudo da Croácia e crianças tratando figurinha brilhante como se fosse ouro de Banco Central. Teve pai que sabia mais da seleção da Bélgica do que da própria conta de energia. E agora, com 48 seleções e 980 figurinhas, a emoção voltou ainda mais cara.
Antigamente, com dez reais, o menino saía feliz da banca, com chiclete, refrigerante e metade do álbum do Romário preenchido. Hoje, com dez reais, ele olha para o pai, o pai olha para ele e os dois olham juntos para o gerente do banco. A matemática virou inimiga da felicidade infantil. Se não houver troca de figurinhas, o custo pode passar de R$ 7.362,90. Isso já não é mais coleção, é quase uma pós-graduação em resistência financeira.
Mas o sergipano é teimoso e apaixonado por futebol. Vai reclamar, vai dizer que está caro, vai jurar que esse ano não entra nessa, e no outro dia já estará na banca perguntando se chegou figurinha nova. Porque álbum da Copa não é só papel colado, é memória afetiva. É pai e filho brigando por figurinha repetida, é mãe dizendo que não vai comprar mais e comprando escondido depois, é aquela alegria besta e maravilhosa de completar uma página da seleção brasileira.
Então, pais sergipanos, aceitem o destino com dignidade. A Copa vem aí e junto dela vem o pacote completo: figurinha repetida, pedido de Pix inesperado e a missão quase impossível de encontrar aquela última figurinha que nunca aparece. No fim, vocês vão pagar, reclamar e ainda sorrir quando o menino gritar que completou o álbum. Porque ser pai no Brasil também é isso: financiar sonhos, inclusive os laminados e coloridos da Panini.




