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O governo da propaganda e o povo da espera

O Governo de Sergipe parece funcionar em duas velocidades. Para a propaganda, os eventos e os contratos milionários, pisa no acelerador. Para resolver a greve dos professores, diminuir as filas da saúde, fiscalizar o abastecimento de água e melhorar a segurança, anda com o freio de mão puxado. O cidadão trabalha, paga impostos e ainda precisa implorar para receber aquilo que já financiou.

Na educação, professores cruzam os braços e alunos perdem aulas enquanto o diálogo se transforma numa guerra de versões. Um governo que não consegue conversar com quem sustenta a escola pública perdeu mais do que a capacidade de negociar. Perdeu a sensibilidade. Quem sofre não é o ocupante do Palácio, mas a criança que fica sem aula e a família que depende integralmente da rede estadual.

Na água, venderam a promessa de eficiência, mas muita gente continua convivendo com torneira seca, incerteza e cobrança. Na saúde, divulgam números grandiosos do Opera Sergipe, enquanto pacientes relatam espera, falta de medicamentos e procedimentos adiados. Na segurança, apresentam operações e estatísticas, mas o cidadão quer algo mais simples: sair de casa e voltar vivo, com seu celular e sua dignidade.

No meio disso, surgem contratos superiores a R$ 70 milhões com uma empresa pertencente à filha de um político aliado. O governo afirma que tudo foi realizado legalmente. Então deve abrir contratos, pagamentos, notas fiscais, relatórios de execução e nomes de quem fiscalizou. Legalidade não é favor, é obrigação. Transparência também não pode aparecer somente quando a imprensa descobre e o governo precisa correr atrás de uma explicação.

Sergipe precisa mudar essa lógica. Não basta trocar slogan, cor de campanha ou fotografia de palanque. É necessário substituir a política da aparência pela política do resultado. Quando a propaganda prospera e o serviço público piora, a mudança deixa de ser desejo da oposição e passa a ser necessidade da população. Sergipe não precisa de mais promessas bem iluminadas. Precisa de água, escola, saúde, segurança, transparência e respeito.

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