O governo de Sergipe amanheceu anunciando seu novo secretariado como se estivesse entregando ao público uma reviravolta digna de série política. Mas sejamos honestos. Não houve plot twist, não houve terremoto administrativo, não houve caneta trocando destinos de forma dramática. O que houve foi exatamente o que todo mundo já sabia. Um secretariado que mais parece troca de cadeira em festa de aniversário do que uma reformulação profunda de governo. É a prova prática de que, na política, novidade mesmo só quando alguém erra o discurso.
A chegada da delegada Georlize Teles à Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres não surpreende ninguém. Delegada experiente, de primeiro concurso, preparada, discreta e infinitamente mais polida quer a sainte Danielle Garcia. É uma escolha correta, técnica e previsível. Todo mundo sabia que cedo ou tarde Georlize assumiria uma pasta do governo porque reúne algo raro na política: competência, equilíbrio e ficha limpa.
Na Educação, a saída de Zezinho Sobral para a entrada da pedagoga Maria Gilvânia Guimarães também não é novidade. Gilvânia já vinha andando pelo corredor da secretaria como quem conhece cada porta, cada recanto e cada debate. Foi assessora, braço técnico, conselheira estratégica e uma espécie de continuidade viva de tudo que Zezinho construiu. Se o governo quisesse surpreender, traria um nome totalmente de fora. Mas não trouxe.
Na Saúde, o movimento é quase simbólico. Jardel Mittermeier assume o lugar de Cláudio Mitidieri, mas o comando real continua com a mesma assinatura. Jardel é da casa, conhece a máquina, obedece à lógica interna do grupo e segue a linha sem arrasto. Enquanto isso, Cláudio larga a caneta, mas não larga o poder. É o tipo de mudança que o governo anuncia, mas todo mundo sabe quem é que vai continuar dando a última palavra.
A troca em Articulação com os Municípios prova que a política sergipana tem sobrenome, não função. Sai Venâncio Fonseca, entra Luiz Fonseca. Os dois são tão parecidos que, se trocar a foto, metade da população não percebe. Ambos conhecem o tabuleiro como poucos, sabem onde pisa cada liderança municipal e entendem como se costura apoio. É uma mudança estética, não estrutural. Como dizem por aí, troca de seis por meia dúzia, mas aqui meia dúzia também funciona muito bem.
Na Representação de Sergipe em Brasília, Luciano Filho assume sem susto. Já era secretário executivo, já comandava metade da agenda e já era homem de confiança dentro do time. Nitinho sai, Luciano entra, e Brasília continua a mesma. Nada de ruptura. Apenas continuidade com letra maiúscula.
A mudança mais esperada, porém, estava na Casa Civil. Sai Jorginho Araújo e entra Luiz Mitidieri. E aqui, sim, temos uma correção de rota atrasada. Não é exagero dizer que essa substituição deveria ter acontecido no primeiro ano de governo. Luiz Mitidieri conhece política desde quando Jorginho ainda estava aprendendo a estacionar o anda-já. Sabe o funcionamento das relações de poder, entende a linguagem da classe política e domina nuances que só décadas de experiência entregam. O governo ganha musculatura. Tardia, mas ganha.
No Turismo, a oficialização de Daniela Mesquita apenas colocou nome e sobrenome no que já acontecia. Daniela comandava a secretaria enquanto Marcos Franco assinava os papéis. Ela conhece hotelaria, conhece gestão, conhece turismo e já fazia o trabalho. Agora apenas deixaram claro quem realmente estava no volante.
Assim, o governo anuncia mudanças, mas entrega continuidade. A imprensa ensaiou dizer que seria uma grande virada administrativa, mas o que se viu foi apenas a confirmação do que já estava decidido nos bastidores. Nada explode, nada vira de ponta-cabeça, nada renasce diferente. O time que está ganhando não se mexe, dizem os manuais do futebol. E Fábio Mitidieri parece ter lido esse manual ao pé da letra.
As trocas são boas, coerentes e previsíveis. O governo segue estável, alinhado e com figuras que conhecem o peso de cada pasta. Não é revolução, mas também não é retrocesso. É política real, sem pirotecnia, sem tapioca recheada de promessa, sem pastel com caldo de cana, sem fumaça. E às vezes, convenhamos, previsibilidade é exatamente o que um governo precisa.




