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O vídeo que incomodou a saúde oficial

O vídeo do ex-senador Eduardo Amorim sobre o HUSE mexeu onde mais dói: na distância entre a propaganda oficial e a fila real do cidadão. Ao mostrar superlotação, demora por cirurgias e a rotina de quem espera atendimento, Eduardo recolocou a saúde pública no centro do debate. E fez isso com uma proposta objetiva: se voltar ao Senado, pretende destinar mais de R$ 280 milhões para o SUS em Sergipe, lembrando que já atuou antes em favor do Hospital do Câncer. A resposta política veio rápida. Quando a realidade aparece em vídeo, o gabinete costuma perder o humor.

Depois da repercussão, ganhou força a informação de que o governo Fábio Mitidieri teria adotado restrições para gravações dentro de unidades de saúde, sob o argumento de proteger imagem, privacidade e segurança de pacientes e servidores. A proteção da imagem das pessoas é legítima. Ninguém discute isso. O problema começa quando a justificativa parece funcionar também como cortina para esconder corredor cheio, fila grande e paciente cansado. Privacidade não pode virar biombo administrativo. Hospital público não é estúdio de campanha, mas também não pode virar caixa-preta.

A situação fica ainda mais delicada porque Cláudio Mitidieri, primo do governador Fábio Mitidieri e ex-secretário da Saúde, tenta se apresentar politicamente com a marca de quem teria feito uma grande gestão na área. É legítimo defender o próprio legado. Mas legado bom não precisa ter medo de câmera. Se a saúde realmente mudou, que a transparência mostre. Se o HUSE melhorou, que os pacientes confirmem. Se a fila diminuiu, que os números apareçam. O que não combina é vender eficiência na propaganda e se incomodar quando alguém filma a espera.

O debate, portanto, não é apenas sobre Eduardo Amorim, Fábio Mitidieri ou Cláudio Mitidieri. É sobre o direito da população de saber como funciona o hospital que ela paga com imposto e procura quando a dor aperta. A saúde pública não pode ser avaliada só por release, placa de inauguração e vídeo bonito de entrega oficial. Ela precisa ser medida na maca, na fila, no atendimento, na cirurgia marcada, no remédio disponível e na resposta que a família recebe quando chega desesperada.

No fim, o episódio deixou uma pergunta simples e incômoda: se está tudo tão bem, por que tanta preocupação com a imagem? O cidadão não quer espetáculo. Quer atendimento. Não quer briga eleitoral. Quer cirurgia. Não quer esconderijo institucional. Quer solução. E, nesse ponto, o vídeo de Eduardo Amorim cumpriu uma função pública: obrigou o governo a olhar para o HUSE não apenas como vitrine administrativa, mas como o lugar onde milhares de sergipanos ainda esperam que a saúde deixe de ser promessa e vire cuidado de verdade.

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