A Copa do Mundo entregou, talvez, seu capítulo mais emocionante até agora. Argentina e Cabo Verde fizeram um daqueles jogos que lembram por que o futebol é capaz de parar países inteiros. Em Sergipe, o sofá virou arquibancada e o café esfriou na mesa. Metade da torcida vestiu a camisa da América do Sul e embarcou na genialidade de Lionel Messi. A outra metade resolveu adotar Cabo Verde, afinal, o pequeno país africano fala português, tem fortes laços históricos com Portugal e desperta uma simpatia natural em muitos brasileiros. No fim, ninguém saiu derrotado como espectador. Quem venceu foi o futebol.
Dentro de campo, a Argentina encontrou muito mais do que imaginava. Messi abriu o placar com mais um gol de craque, Lisandro Martínez e Cristian Romero marcaram os outros, mas Cabo Verde respondeu duas vezes, levou o jogo para a prorrogação e transformou o goleiro Vozinha, aos 40 anos, em um dos grandes personagens desta Copa. Houve momentos em que parecia que o pequeno arquipélago faria uma das maiores zebras da história dos Mundiais. Nas redes sociais, brasileiros e torcedores do mundo inteiro chamaram Cabo Verde de “campeão moral”, enquanto muitos argentinos admitiam que a classificação custou muito mais suor do que imaginavam.
Após a partida, Lionel Scaloni fez um alerta que serve para todas as seleções, inclusive para o Brasil. O treinador argentino afirmou que não existe adversário fácil em Copa do Mundo e que qualquer descuido pode custar a eliminação. Disse ainda que sua equipe saiu esgotada, mas demonstrou caráter para superar um confronto dificílimo. Messi também reconheceu que Cabo Verde empurrou a atual campeã ao limite. A lição ficou clara: nesta Copa não existe mais espaço para salto alto. A camisa pesa, mas quem corre é a perna. E quem não corre, volta para casa mais cedo.
E agora o coração brasileiro muda de endereço. Domingo tem Brasil e Noruega. Os números lembram que os noruegueses nunca perderam para a Seleção Brasileira, mas estatística é como chuva em dia de praia: existe para ser contrariada. Depois do espetáculo entre Argentina e Cabo Verde, ficou provado que favoritismo entra em campo de terno e muitas vezes sai de chinelo. O Brasil terá pela frente uma seleção forte, organizada e perigosa, mas também terá milhões de brasileiros acreditando que chegou a hora de quebrar esse velho tabu. Se a Argentina precisou de 120 minutos para sobreviver, fica o recado: nesta Copa ninguém passeia. Aqui, cada jogo vale uma vida, uma pátria e um sonho.





Uma resposta
O que falta na atual Seleção brasileira, sobra na Seleção Argentina: garra e amor à camisa.