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Pato Maravilha e a eleição fora do mundo das maravilhas

Pato Maravilha chega à reeleição com mandato na mão, nome conhecido e um problema grande batendo asa em Umbaúba. Ele foi eleito em 2022 com 27.552 votos, saiu do PL, hoje aparece no União Brasil e tenta renovar o mandato num cenário bem menos confortável do que aquele mundo encantado dos Maravilha imaginava. Na Alese, Pato teve atuação, comissões, projetos e pautas em saúde, educação, cultura, agricultura familiar e infraestrutura. Ou seja, não foi pato mudo. Mas também não virou aquele deputado que o povo olha e diz: “esse aí mudou Sergipe”. No máximo, deixou umas penas pelo caminho e umas indicações no Diário Oficial.

O problema é que o lago político de Umbaúba mudou de dono. Durante anos, a família Maravilha nadou tranquila: Humberto na prefeitura, Pato na Assembleia, Maurício chegando à Câmara de Aracaju. Parecia um parque aquático familiar, com boia exclusiva e salva-vidas do grupo. Só que em 2024 veio Juliana do Mamão, ganhou a prefeitura e mostrou que eleitor também troca de fruta. O mundo das Maravilhas descobriu, do jeito mais amargo possível, que urna não respeita sobrenome, não pede bênção a ex-prefeito e ainda pode trocar pato por mamão sem derramar uma lágrima.

E aí entra Jorginho Araújo, o homem que está transformando Umbaúba numa dor de cabeça com CEP, placa e inauguração. A imprensa e as redes registram a aproximação dele com a prefeita Juliana Cardoso, inclusive em ações e obras no município, com parceria envolvendo o Governo do Estado. A própria Alese noticiou Jorginho destacando investimentos e ações voltadas a Umbaúba em abril de 2026. Tradução política: enquanto Pato procura o lago antigo, Jorginho já botou cadeira na beira, Juliana serviu o mamão gelado e o governo ficou naquela cara de quem diz: “meu amigo Pato, eu gosto de você, mas também gosto muito de Jorginho”.

Esse é o desconforto dos Maravilha com o governo: não dá para bater forte em Jorginho porque Jorginho é do coração político de Fábio Mitidieri. É quase uma relação de sogra em almoço de domingo: todo mundo sorri, mas debaixo da mesa tem canelada. Pato olha para Umbaúba e vê Jorginho avançando; olha para o governo e vê Fábio sem muita vontade de mandar o amigo sair da lagoa; olha para a família e vê a antiga hegemonia virando lembrança de álbum. É o tipo de situação em que o pato não sabe se nada, se voa ou se pede boia ao Palácio.

Pato ainda é competitivo. Tem voto, mandato, nome e resíduo de força familiar. Mas sua base ficou mais apertada, mais disputada e menos automática. A reeleição deixou de ser passeio de pedalinho e virou travessia com jacaré político, mamão escorregadio e Jorginho jogando rede no mesmo lago. Em Sergipe, a política é cruel: um dia o pato nada elegante, batendo asa para a plateia. No outro, percebe que o lago virou plantação de mamão, que o governo está acenando para outro pescador e que, se não mostrar serviço de verdade, pode acabar virando apenas lembrança no cardápio eleitoral de 2026.

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