Paulo Júnior chega para tentar a reeleição com 27.947 votos na bagagem, base forte em São Cristóvão e aquele jeito de político que parece pedir aparte até para desejar bom dia. Foi vereador, vice-prefeito ao lado de Marcos Santana e entrou na Alese como representante natural da quarta cidade mais antiga do Brasil. Durante boa parte do mandato, sustentou a imagem de líder da oposição, cobrando, fiscalizando e fazendo pose de sentinela do governo. Só que, nos últimos dois anos, caiu nas graças de Fábio Mitidieri e terminou compondo com o grupo do governador. Foi quase uma conversão política: entrou como fiscal, saiu como convidado do café no Palácio.
Na Assembleia, trabalho ele tem. Apresentou pautas de saúde, inclusão, educação, doenças raras, matrícula de irmãos na mesma escola e reserva de vagas para pessoas acima de 40 anos. Também entrou no debate do transporte público e sempre cultivou essa imagem de deputado equilibrado, sereno, bom de conversa e ruim de confusão. O problema é que Paulo virou um caso raro da política sergipana: oposição que foi amaciando, amaciando, até virar almofada institucional. Para os aliados, maturidade. Para os críticos, oposição de rede de varanda: balança, balança, mas quando o governo senta, acomoda.
E aí mora a graça da história. Paulo Júnior parece aquele síndico educado do condomínio: reclama do barulho, manda mensagem no grupo, fala em providência, mas na hora da multa prefere “manter o diálogo”. Foi líder da oposição, mas depois descobriu que o cafezinho governista tem açúcar, ar-condicionado e foto boa para rede social. O eleitor olha e pergunta: “meu filho, o senhor fiscaliza o governo ou só faz carinho institucional com luva de pelica?”.
Para 2026, Paulo tem voto, grupo, base em São Cristóvão e boa imagem. Mas precisa explicar essa travessia com mais clareza: saiu da oposição por convicção ou foi sendo puxado pelo cheiro do bolo de macaxeira do Palácio? Porque simpatia ajuda, educação encanta e discurso leve não briga com ninguém. Só que urna não vota em serenidade. O eleitor quer saber se Paulo Júnior trouxe resultado ou se passou quatro anos falando baixo, primeiro para fiscalizar o governo e depois para não acordar Mitidieri.




