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Pesquisa em Sergipe virou cardápio, tem resultado para todo gosto e freguês

Pesquisa eleitoral em Sergipe virou praticamente feira livre de sábado, tem de tudo, para todo gosto e para todo bolso. Tem pesquisa que bota Fábio lá na frente sorrindo, tem outra que coloca Valmir voando alto, tem uma terceira que ressuscita nome que ninguém nem lembrava e ainda tem aquelas que parecem ter sido feitas no grupo de família. No fim das contas, cada pesquisa virou um espelho do desejo de quem paga, e não necessariamente da realidade de quem vota. E o povo, que não é besta, já começa a olhar com desconfiança, porque quando todo mundo está ganhando ao mesmo tempo, alguém está perdendo a verdade.

E a semana foi um espetáculo à parte. Duas pesquisas estourando ao mesmo tempo, uma dizendo que Fábio Mitidieri lidera com folga, outra colocando Valmir de Francisquinho na frente e vencendo até no segundo turno. Aí o eleitor olha e pergunta, qual é a verdadeira. A resposta é simples e direta, nenhuma sozinha. Porque pesquisa hoje virou instrumento político, é mais usada para criar clima do que para retratar realidade. É a velha tentativa de empurrar narrativa goela abaixo, achando que o povo ainda decide voto por gráfico colorido.

Nas redes sociais, a reação foi imediata e bem humorada, como o sergipano gosta. Teve gente dizendo que a pesquisa depende de onde foi feita, se foi na fila do pão ou na feira dá Valmir, se foi na sala do ar-condicionado em Aracaju dá Fábio. Teve comentário dizendo que pesquisa hoje é igual previsão do tempo, muda toda hora e ninguém se responsabiliza quando erra. E teve o clássico, pesquisa boa é a que meu candidato ganha, a ruim é manipulada.

A tal pesquisa do Instituto W1 virou assunto porque colocou Valmir na frente no primeiro turno e abrindo vantagem no segundo. Pronto, bastou isso para incendiar o debate. De um lado, apoiadores comemorando como se já fosse resultado oficial. Do outro, governistas dizendo que não confiam, que tem erro, que tem distorção. E no meio, o eleitor comum só observando esse cabo de guerra estatístico com aquela cara de quem já viu esse filme antes.

E é bom lembrar o básico, pesquisa séria precisa cumprir regra, registro no TSE, metodologia clara, amostra definida, margem de erro explicada. Só que entre cumprir regra e refletir realidade tem um abismo chamado interpretação política. Porque número por si só não decide eleição, o que decide é sentimento, é rua, é corpo a corpo, é o que o povo fala na feira, no ônibus, no trabalho e dentro de casa.

E quando se vai para a rua, o que se vê é um cenário muito mais vivo do que qualquer gráfico engessado. Tem insatisfação com a água, tem cobrança pesada ao governo e tem um dado que chama atenção, Valmir aparece bem posicionado mesmo sem ser candidato oficial, sem renunciar e sem colocar o bloco na rua de verdade. Aí o povo já começa a fazer conta de cabeça, imagine quando renunciar de fato, dizem nas rodas de conversa que ele cresce fácil entre 10% e 20%. Não é número de instituto não, é sensação de rua, é leitura de quem anda, conversa e escuta.

E é justamente isso que pesquisa nenhuma consegue capturar com precisão. Porque ali não tem só intenção de voto, tem expectativa, tem curiosidade, tem gente esperando o movimento acontecer para decidir. Não é um retrato parado, é um filme em andamento. E filme, meu amigo, não se resume a porcentagem de rádio, se desenrola na rua, no corpo a corpo, no olho no olho.

No fim das contas, acreditar cegamente em pesquisa em Sergipe hoje é quase um ato de fé. O que vale mesmo é o termômetro da rua, é o ouvido no povo, é o clima que se forma no dia a dia. Porque eleição não se ganha em planilha, se ganha na conversa, no sentimento e na confiança. E essa, meu amigo, nenhuma pesquisa consegue medir com precisão quando o povo já decidiu que não quer mais ser enganado por número bonito.

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