A semana mal começou e Brasília já parece um barril de pólvora prestes a explodir — de novo. De um lado, o Supremo Tribunal Federal avança no cerco ao bolsonarismo com o início dos depoimentos no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado. Do outro, o Congresso reage com uma PEC que mira direto no coração do STF. A disputa é institucional? É. Mas não se engane: isso aqui é guerra política com todas as letras.
STF no comando (e no alvo)
Alexandre de Moraes não recua. Começaram nesta segunda-feira (19) os depoimentos de testemunhas no processo que pode enterrar de vez o legado político de Jair Bolsonaro. O foco: sua tentativa de melar o resultado das eleições e se manter no poder pela força. Entre os ouvidos está um ex-comandante do Exército — o que já diz muito sobre o tom do processo.
Bolsonaro, como de praxe, grita “perseguição” e “ativismo judicial”, mas os ministros parecem mais preocupados em escrever o capítulo final de uma novela golpista que flertou perigosamente com o autoritarismo. O cerco apertou. E não há sinal de que vá afrouxar.
Congresso dá o troco (ou tenta)
Enquanto isso, no Planalto Central, deputados e senadores — especialmente os da base bolsonarista e do Centrão — aceleram a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição que limita decisões monocráticas de ministros do Supremo. O recado é claro: se o STF quer bater, vai apanhar também.
Mas aqui cabe a pergunta: é reação democrática legítima ou tentativa de retaliação de quem está com medo de ser o próximo na fila? A tal “PEC do STF” pode até ter apoio popular em certos nichos — afinal, ninguém morre de amores pela toga —, mas é também uma cortina de fumaça para proteger quem teme ser dragado pelas investigações.
O golpe que (ainda) repercute
A cada nova revelação, fica mais difícil sustentar a tese de que Bolsonaro foi só “inconsequente”. O plano estava montado. Havia minuta golpista, general disposto, articulação com empresários e até ares de messianismo. Não deu certo, mas foi por pouco. E agora, com os olhos do Judiciário mirando alto, a turma da farda e da fé começa a sentir o peso da história batendo à porta.
No meio disso tudo, o povo?
A verdade é que essa guerra entre Poderes não resolve inflação, desemprego ou o preço do arroz. Mas movimenta o tabuleiro. E quem está de olho em 2026 já ensaia seus passos: Lula tenta manter distância cirúrgica do embate institucional, mas a polarização o favorece. E a direita? Perde fôlego, mas ainda tem munição — especialmente nas redes e nas bancadas evangélica e armamentista.
O Brasil segue em ebulição. E quem acha que essa fervura vai baixar tão cedo está fora da realidade. Prepare-se: os próximos capítulos prometem.
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Fontes Principais:
- Veja
- Estadão
- BBC Brasil
- Agência Brasil




