Aracaju está prestes a perder um pedaço gordo de sua carne: cerca de 11% do território que conhecemos como Zona de Expansão pode ser arrancado do mapa da capital e entregue de bandeja a São Cristóvão. Isso porque o STF confirmou a sentença que anulou a lei municipal de 1989, considerada inconstitucional, e determinou a devolução da área.
O problema? Essa região não é só mato ou beira de rio. É dinheiro vivo, IPTU milionário, investimentos pesados e, principalmente, gente que se reconhece como aracajuana.
Emília Corrêa não engoliu a decisão
A prefeita Emília Corrêa (PL), recém-chegada ao comando da cidade, já mostrou que não vai abaixar a cabeça. Nesta semana, ela entrou com uma ação rescisória na Justiça para tentar reverter a determinação.
Em coletiva, foi direto ao ponto: São Cristóvão nunca botou a mão no bolso para cuidar da região. Segundo ela, quem paga a conta de saúde, educação, iluminação, segurança e limpeza há mais de 70 anos é Aracaju. Só de custeio, a fatura chega a R$ 10 milhões por mês.
A prefeita ainda cutucou: “Essa área é de Aracaju por história, por serviços, por investimentos, mas, acima de tudo, por pertencimento”.
O que está em jogo?
A conta é pesada:
- Mais de R$ 5 milhões por ano em IPTU podem evaporar dos cofres da capital.
- O bloqueio de R$ 220 milhões da outorga da Deso já está em curso, congelando recursos que seriam investidos na cidade.
- Obras gigantescas do programa Aracaju Cidade do Futuro, com R$ 165 milhões só em drenagem e urbanização no Mosqueiro, correm o risco de virar vitrine para São Cristóvão.
Ou seja: Aracaju investe, São Cristóvão pode herdar a herança.
O governo do Estado já marcou data
Enquanto a prefeita briga nos tribunais, o Governo de Sergipe trata a devolução como fato consumado. Um estudo técnico coordenado pela Seplan prevê que o novo traçado territorial será concluído até o primeiro semestre de 2026.
E o detalhe é cruel: até lá, a cidade conviverá com a incerteza de administrar um território que pode simplesmente deixar de existir no mapa da capital.
A disputa é mais do que jurídica
Esse cabo de guerra é sobre poder político, arrecadação e identidade. Quem vive no Mosqueiro, no Santa Lúcia ou na Jabotiana se reconhece como aracajuano, não como são-cristovense. Transferir esses bairros na canetada é como redesenhar o pertencimento de milhares de famílias.
Resta saber se a Justiça vai ouvir os argumentos de Emília Corrêa ou se Aracaju vai mesmo assistir, de camarote, a São Cristóvão faturar em cima do esforço da capital.
E você, leitor: acha que Aracaju deve abrir mão da Zona de Expansão ou lutar até o fim?
Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta matéria. Esse debate não é só de prefeitos e juízes — é de todo aracajuano.
Fontes principais
A8SE, AJN1, NE Notícias, FanF1, F5 News, SE79





Uma resposta
O que eu sei é que pretencia a São Cristóvão, como você mesmo diz uma lei em 1989 faz com que esse território venha a ser de Aracaju, inconstitucionalidade forte ai. Agora como é que São Cristóvão iria investir se estava sob a tutela de Aracaju? Cenas dos próximos capítulos