Se você acordou nos últimos dias em Aracaju achando que tinha dormido dentro de uma banheira coletiva, não era autocuidado avançado, era a chuva mostrando que quando quer cair, cai com currículo. De repente, ruas viraram rios improvisados e a capital ganhou um visual meio Veneza nordestina, só que sem charme italiano e com muito transtorno. No interior, o cenário também foi pesado. E a meteorologia já avisou que as chuvas seguem até quarta-feira. Não é boato de grupo de WhatsApp, é alerta oficial. Ou seja, guarda-chuva aberto e atenção redobrada, porque o risco continua.
Diante disso, a pergunta inevitável aparece, mas com justiça. Onde está a Defesa Civil? É preciso reconhecer que o secretário estadual, o coronel Luciano Freire, teve atuação rápida, mobilizou equipes, acompanhou os municípios atingidos e deu resposta imediata. Isso conta. Isso é comando. Mas resposta emergencial não pode substituir prevenção contínua. Quando a água sobe rápido demais, cada minuto faz diferença, e a estrutura precisa estar pronta antes da enxurrada virar manchete.
A tragédia que vitimou um homem de 44 anos e sua companheira, com o carro arrastado pela força da água, não é episódio para ironia. É dor real, é família devastada. Deus conforte todos os parentes e amigos. Esses momentos nos lembram que enchente não é apenas transtorno urbano, é risco de vida. E toda vez que um carro é tragado, a pergunta volta com mais peso: o que poderia ter sido evitado?
A Defesa Civil Municipal e a Estadual se movimentaram, inclusive apoiando municípios como Canindé de São Francisco, onde volumes expressivos de chuva deixaram desalojados e ruas alagadas. Estar em alerta é importante. Mas estar preparado é ainda mais. Alerta avisa que a água vem. Preparação impede que ela destrua tudo pelo caminho. E quando a previsão insiste que a chuva continua, planejamento não pode ser opcional.
Fica o recado com humor responsável e consciência firme. Ninguém quer desmerecer o trabalho de quem está na linha de frente. Pelo contrário, a atuação rápida merece reconhecimento. Mas Aracaju precisa transformar reação em prevenção permanente. Previsão nós já temos. Agora precisamos de preparo do mesmo tamanho da chuva. Porque água cai do céu. Solução precisa vir da gestão.




